terça-feira, 27 de agosto de 2013

Afinal, quem são As Poderosas?

"Prepara que agora é hora
Do show das poderosas
São as que ficam
De cara quando tocam
Prepara
Se não quer mais a vontade
sai por onde entrei"

Foi o que Marina entrou em casa cantando, há cerca de um mês, depois de vir da casa da avó. Não conheço a música, mas como a neguinha é boa de ritmo percebi logo que era funk e ouvi falar em rebolado aí tive uma reação louca! Sério, louca mesmo! "Marina, não cante isso! Crianças não cantam isso!" Falei alto, coisa que raramente faço, foi chocante para mim, ela e o pai, que achava que a música era sobre essas super-poderosas aqui:

Ficamos uns dias só nós duas em casa e percebi que ao estar sozinha minha pequena cantava a desgraçada da música baixinho, quando eu chegava ela parava e quando percebia que eu tinha escutado dizia algo como "Posso não, né? Nenhuma criança, né? E a 'do sol', posso?" "Pode".
Putz, fiquei mal com o berro que dei. Não quis buscar nenhuma informação sobre essa música até decidir fazer essa postagem.
Um dia chamei minha pequena e pedi que cantasse a música para mim. O trecho é o que coloquei logo acima. Ouvi tranquilamente e perguntei a ela quem eram as poderosas.
"Mãe, elas são superpoderosas, bora procurar na Internet pra você ver"
Ei-las:

"Humrrum, certo. Onde mais você canta ou escuta isso?"
"Eu e a Gabi da escola, sabe a que eu gosto? A gente canta, mas às vezes ela erra e eu digo como é" 
Dei graças a Deus pelo "erro" da Gabi porque suponho que a coleguinha canta certo
"Então tá bom, agora que eu conheço, pode cantar, viu? Me desculpa por ter proibido, é que eu me confundi com outra música..."
"Que criança não pode?"
"É"
"Tá bem, mãe" Me beijou, fizemos beijinho de esquimó e foi brincar. Como ela não dança, achei que não tem problema cantar...segui o raciocínio que uso para o "Atirei o pau no gato": não me importo que ela cante porque não acho que vá tentar bater no gato, coitado.
Quando ela tiver mais idade, porém, as coisas serão diferentes, o diálogo será outro porque o entendimento dela será outro também. Eu estarei mais controlada (será?) e a vida será só flores.
Agora, para quem não sabe do que estou falando, essa é "garota poderosa" da música, vamos tentar localizá-la no universo. Possivelmente fez algo além de cantar (?), malhar, fazer plásticas, colocar silicone, corrigir com photoshop, chorar com a Xuxa. Mas com certeza, 
não, ela não salvou 12 mil crianças judias dos campos de concentração durante a 2ª guerra, como a Sra. Diana Budsajevljevic. Não lutou pelo Estado de Israel, como Golda Meir. Não mudou a vida de milhares de doentes mentais, como a alagoana Nise da Silveira e nem lutou na Guerra do Paraguai como a pioneira da enfermagem no Brasil, Ana Néri.
Ela é esta...

E isto o que ela faz...

Clip daqui

Antes de Marina eu não tinha mais sonhos, mas agora, com o mundo abrindo-se diante dela, sou obrigada a levantar e carregar ainda mais pedras do que antes, ainda mais do que sempre fiz para construir um mundo melhor. Antes, esse mundo melhor era para todos. Agora, além dele, tenho a responsabilidade sobre a condução de um ser-humano que esteja ao meu meu lado nessa construção. 
E mais um sonho, graças a essa música, acrescento aos que Marina me faz ter: que minha pequena, quando adulta, saiba reconhecer uma mulher poderosa!

4 comentários:

Stéfany disse...

Muito legal a reflexão. Acho que o ideal é isso aí, pesquisar, ver de onde surgiu, quem canta, em que está inserido. Apesar da plástica, do silicone, cabelo alisado, etc etc, não consegui entender o sucesso da música. "Só as que incomodam, expulsam as invejosas...", quando ouço, só consigo relacionar a briga de menina (na pré adolescência, no máximo)na escola. Fui numa formatura esse findi e a mulherada da faixa dos 30 cantava em coro, dançava igualzinho. Comassim??? Pois é, tem mó galera precisando abrir a cabeça em relação ao que seja uma mulher "poderosa"...

Patrícia Gomes disse...

Aí vem a Globo, Stéfany, e só mostra as mulheres que "deram pra todo mundo" como as heroínas do Brasil. Pagu "quis perder a virgindade aos 12 anos" é o disse a minissérie global e o livro dela...assim como foi explorada pelos comunistas (na Globo isso nao passa) e cometeu suicídio aos 60. Até a vida daquela lá do Sul que lutou na Guerra transformaram num romance, a mulher não foi por ideal, foi por amor ao cabra lá. Temos muito que pesquisar, aprender e sair gritando mundo afora sobre quem são e o que é ser poderosa!

Luma Rosa disse...

Oi, Patrícia!
Como ligo a tv em programas específicos, ainda não tinha visto... Mas é melhor que a "Dança da garrafa", não é não? A tal da Carla Perez foi motivo de noites sem dormir da minha irmã. A minha sobrinha pequenina chegou em casa dançando depois de uma festinha de aniversário... Meu cunhado quase surtou!
Hahahaha imaginei a sua cara quando ouviu a primeira vez!
Beijus,

Patrícia Gomes disse...

Oi, Luma!
Sinto dizer que as coisas não estão tão diferentes não, olha o que achei...
http://www.youtube.com/watch?v=JdsO7T8mT78