sábado, 10 de agosto de 2013

BLOGAGEM COLETIVA: Por quê eu sou ativista da amamentação?


Participei da blogagem no ano  passado. Este ano, com muita tristeza no coração e problemas no computador, não consegui colocar o selinho da campanha, mas minha calma monástica me diz que até dia 20 tudo estará resolvido.
Para mim é mais do que o atendimento ao chamamento de Ceila e Luma, duas blogueiras adoráveis e cheias de borboletas na cabeça! É um mesmo mesmo de revisão sobre o que escrevi no ano anterior, sobre como acompanhou o movimento (para mim, é claro) e como tudo isso me afeta.
A reflexão que grita em mim pode parecer estranha mas trata justamente das mulheres que não são ativistas, não sabem do que trata e não querem amamentar. Sei, leque gigante, mas estou desprezando o cartesianismo então vou deixar o balaio cheio e dar umas pinceladas.
QUALQUER obrigação que se imponha à mulher - por ela ser mulher - é injusta. QUALQUER obrigação que se imponha ao homem - por seu gênero - é injusta.
Não pare, volte, seja gentil, paciente :-) pode não tratar-se apenas de papo-feminista-sobre-ser-dona-do-próprio-corpo. Aliás, se esse para mim já é um assunto complicado em se tratando de maternidade a proporção de dificuldade extrapola o planeta. O caso é que vi, neste último ano, um apedrejamento contra as mulheres que oferecem mamadeiras às suas crias, sem sequer procurar amamentar; outras tentam já com a mamadeira na cabeceira; outras passam a gestação inteira espremendo o bico do peito e repetindo "meu Deus, e se não tiver leite?". Sim, conheci todas elas. E por quê falarei sobre elas? Porque quero tratar da amamentação como um direito feminino, que é também um direito da criança.
@s psicanalistas de plantão comentem neste post, please, será ótimo ouvi-los. Gente, amamentar é difícil demais! É doação demais, é fusão demais, é entrega demais...e não é toda mulher que tem o que oferecer de bom para seu maior amor, seu cristal, seu grande presente do Universo! Ela não sabe, na maioria das vezes, mas ELA É SUFICIENTE tanto quanto seu leite. Mas quem disse isso a ela? A vida? O mercado de trabalho? As colegas, amigas, mulheres da família, o companheiro? Para ser simplista: "Quero o melhor para o meus filho...não, realmente, não é possível que O MEU leite seja o que há de melhor no mundo para ele!".
Sim, sim, este é um ponto apenas. Falei que era um leque imenso e nem intento abranger muito a discussão. Quero chamar a atenção para nossa atitude feminina (ou feminista, se for o caso), de mulher, de semelhante. Quero um convite à compreensão, à delicadeza, ao aconchego, um convite ao abraço a todas as mulheres que não puderam amamentar suas crias, seja porque não conseguiram ou não quiseram ou não tiveram informação a respeito. Se estavam cientes do que faziam, ótimo, somos donas de nossas decisões e respondemos por elas, se foram enganadas pelo mar-infinito de vozes de pessoas BEM INTENCIONADAS MAS IGNORANTES e industria que lucra horrores com a nao-amamentaçao (teclado enlouqueceu, eu sei digitar, juro) sinto muitíssimo por elas e é por essas mulheres que sou ativista da amamentação, porque foi A MELHOR experiência que tive na vida e como eu desejo, meu Deus, que outras mulheres passem por momentos assim - cada uma a seu modo - mas possam vivenciar uma chance única de viver um momento de deusa, de Paraíso na Terra mesmo.

8 comentários:

Luma Rosa disse...

Oi, Patrícia!!
Muitas mulheres depois que tem filho, sentem-se excluídas. A atenção vai toda para a criança e elas mesmas precisam de muito carinho nessa fase. Todas as inseguranças veem à tona e, o que acontece é que as pessoas acham que a criança basta para a mãe. Isolada, ela tem que decidir sozinha. Sem informações ou tendo que trabalhar, acha que o leite que tem não está bom, porque ela mesma não está bem. A mulher começa a criar muitos obstáculos para amamentar, mesmo que esses não existam. Precisamos exercer o nosso feminino para compreender essas mulheres.
Obrigada por participar da blogagem coletiva mais uma vez!! :=))
Beijus,

Patrícia Gomes disse...

O ideal - e olha que nem é utópico - é que nós, ativistas, nos engajemos localmente para melhorar as informações já nas escolas, por exemplo. Ao menos aqui em Maceió as pessoas com mais dinheiro são as que mais "optam" por cesárea e não amamentar. Quem sabe uma boa intervenção nas escolas particulares não seja um bom caminho, já que nas públicas já existem projetos? Obrigada eu :-)

Ceila Santos disse...

Querida, missão dificil você traz para roda porque eu confesso que vejo tanta alienação neste processo que não consigo nem chegar na mulher...Eu vivi essa alienação, mas minha sorte é que eu tinha o sonho de ser mãe e isso trazia comigo a força do parto e do peito, mas quem nasce no brasil e sonha com carreira, dinheiro, profissão, beleza e vê a maternidade como fase da vida ou não a deseja, #comofica? Eu confesso que a questão, pra mim, é a cultura. Vc me entende? Agora,acho que o que nós devíamos buscar é olhar pela perspectiva do humano, o bebê: porquê nossa sociedade nãos e importa com os direitos desse bebê?

Patrícia Gomes disse...

Oi, Ceila! Difícil, eu sei, por isso quis trazer p/ a roda. Nossa sociedade não se preocupa com os direitos dos bebês tanto quanto das mulheres, só que a responsabilidade sobre o bebê geralmente cabe à mulher, independentemente de ela ser/estar preparada, ter suporte emocional/financeiro para ser mãe. Aí...que criança, que adulto será esse bebê que ela teve? E lá vem um fio de meada sendo puxado...

Anônimo disse...

Lembrou de um texto meu que traz isto que vc diz... sobre alienação social! É um buraco, um oco, muito profundo!!!!

"E eis que, um dia, a vontade de ser mãe ressoa. De alguma forma, esse desejo vem até a mulher e ela, então, começa a pensar na maternidade. Mas, durante toda sua existência como fêmea ela rejeitou seus óvulos, ela apagou sua chama, seu fogo interno. Ela viveu uma vida ensaiada, sem protagonista. Ela imitou a estrela da novela, imitou a magrela de Hollywood ou, pior ainda, ela não conseguiu imitar ninguém e seguiu se sentindo uma estranha, muito estranha, quase uma pária. E agora? Os óvulos a muito congelados não vem; os hormônios escondidos à custa de drogas não surgem; o impulso de receber e de se dar não está presente..." CARINY

Patrícia Gomes disse...

Cariny seu texto me lembrou tanto uma amiga minha. Me emocionou muito. Obrigada por compartilhar!
Beijos e fica na Paz!

Vanessa Anacleto disse...

Você tocou num ponto crucial, Patrícia. O do lucro com algo que era regra e precisou virar exceção para render dinheiro a alguém. É mesmo absurdo.

abraço,

Vanessa

Patrícia Gomes disse...

Pois é, Vanessa. Na graduação paguei uma semestre de Administração e Marketing e nunca esqueci do que o professor disse "O marketing faz vc acreditar não pode viver sem aquilo que até então nem existia!" Bem nojento quando é usado levianamente, como vemos por aí. Ainda me assusto quando alguma grávida me diz EXATAMENTE O DIA E A HORA do parto...meu coração dói e para não ser grosseira sorrio e digo "Espero em Deus que seu bebê seja esperto e nasça na hora dele e que seja antes da agenda de vocês".