sábado, 4 de julho de 2015

"Era tanta saudade, era pra matar"

Tão recém-comprados que ainda dormem
Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva dos blogues Lado de fora do coração e Meu blog e eu

É letra de música o título da postagem e muito me leva a crer que seja verdade o que ela diz. A blogagem coletiva de hoje é para falar de saudade e quem está vivenciando meus problemas de perto nos últimos 34 dias poderia dizer que estarei à beira da morte de saudades de minha filha.

Sim, sinto muito a sua falta, embora a veja a cada 3 ou 4 dias, mas antes de sentir sua falta. Anos antes, sentia de mim. E senti muito não poder chorar de saudades de mim. Senti não poder dizer, senti não poder sentir.

Eu queria cinema uma vez por semana. Sem pipoca. Só a sala escura e quase vazia, com qualquer filme (pseudo)cult para atiçar as asinhas de meus pés. Que nada, nem com as das costas eu queria mexer para não fazer barulho. Shhh. Não incomodar. Não acordar minha filha, meu ex-marido, a vizinhança, os colegas de trabalho, a humanidade...

Afinal de contas, o que seria de todo mundo se uma mãe que se perdeu de si resolvesse matar-se-lhe de saudades?! Abraçar-se, dar-se colo, deitar debaixo duma árvore ainda às 3 da tarde e ficar brincando com os raios que passam por entre as folhas. Ai, ai, ai. E se outras vissem? Porque é sempre assim, mulher não tem ideia sozinha, é sempre influenciada. Bom, se outras vissem, e se fossem mesmo influenciáveis...não sei...

Sei só de mim. Que estou em férias do trabalho a partir de hoje e ao sair da masmorra empresa fui ao shopping mais perto e comprei um par de patins. E para tornar o pecado ainda mais mortal fui de carona numa moto, pegamos estrada errada e caímos na lama. Estava frio e meu blazer voava até eu conseguir atá-lo ao cós da calça...mas que vontade deixá-lo solto! Não o fiz por questão de segurança mesmo, quero ser feliz ainda. E bem viva!

Hoje fui matar minha saudade e ela era tanta, tanta, do tamanho duma insônia! Tanto, tanto, que de hoje que eu quero dormir e não consigo, esperando o dia amanhecer sem chuva e eu ir estrear meus patins. Estrear eu. Me cair, Me machucar. Me levantar. Me cansar. Mas ME!

12 comentários:

✿ chica disse...

Saudades da tua filha que mataste ontem, saudfades que sentiste de ti, das tuas vontades.. Bem legal te ler! Desejo ótimas férias ,longe da masmorra,rs e que sejas bem feliz! bjs, chica

Pandora disse...

Ai sim eu vi vantagem!!! Sai de férias há dois dias e entendo a sensação de liberdade e libertação, não sou mãe, mas já estive envoltas em trabalhos que me roubaram de mim e sei o quanto foi bom me ter volta. Adorei seu texto porque ele veio carregado de qualquer coisa que cheira a reencontro e a esperança de dias melhores.

Patrícia Santos disse...

Quanto carinho, Chica <3
Gratidão pela visita e pelo comentário. Bom que ler te fez bem :-D
Bju bju bju

Patrícia Santos disse...

Pandora, ele está mesmo encharcado de esperança, minha querida! Muito sensível tua alma, é tão bom "conhecer" gente assim!
Obrigada pela visita e comentário!
Namaste!

Mi F. Colmán disse...

Patrícia, é minha primeira visita ao teu blog e achei fantástico o teu relato!
O que acho mais incrível de alguns seres humanos é exatamente a não desistência de si mesmo. Existe um livro do Pe Fabio de Melo chamado "Quem me roubou de mim" que fala exatamente a respeito deste assunto, de pessoas que se deixam levar pela vida e se deixam roubar pelas circunstâncias, pessoas ou o que quer que seja. Se ainda não leu, super recomendo.
Adorei tua participação que mostra alguém matando saudades, vivenciando.
O trecho que mais curti foi:

"Me cair, Me machucar. Me levantar. Me cansar. Mas ME!"

Mas ME!
Disse tudo.
Beijos, foi um prazer estar aqui e te ler.

Rivotril com Coca-Cola

Ana Paula disse...

Patins! E todo o simbolismo dele - asas de liberdade aos pés!
Como é bom presentear-se e o melhor de tudo isso é que em meio a responsabilidades, compromissos e saudade, a criança que te habita, pulsa e vibra!
Adorei a participação. Beijo!

Patrícia Santos disse...

Eu que adorei participar, Aninha!
Perfeito: tempo livre, criança e liberdade! \o/

Luma Rosa disse...

Oi, Patrícia!
A saudade de quem fomos um dia é a maior saudade de todas. Ainda mais quando a liberdade entra na questão. O casamento pode virar uma prisão. Por coincidência hoje assisti uma das versões para o cinema/televisão de Madame Bovary - existem tantas! O melhor é ler o livro e ver depois a percepção de cada adaptação para a tela. Essencialmente Emma é o retrato da insatisfação das mulheres casadas, só que potencializado para dar enfase ao personagem e ela não se deixa escravizar e apesar de, está presa às amarras que o destino lhe impôs. É interessante entender como certos sentimentos pertencem ao feminino e que independem se o masculino é certo ou errado. A insatisfação sempre leva os pensamentos para um plano de crítica do outro e diante do politicamente correto: "Uma esposa tem que ser compreensiva", muitas preferem se anular para não entrar em conflito e continuam se culpando como se fosse errado querer mais do que recebem.
Vai menininha, vai! Vai andar de patins...
Beijus,

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Patrícia
Só posso te dizer que chorei daqui... Deus sabe meus motivos...
Bjm fraternal

Patrícia Santos disse...

Seja bem-vinda, Roselia! E que sejam lágrimas de doçura...
Beijo no coração e gratidão pela visita e pelo comentário <3

Patrícia Santos disse...

Que bom que gostou, Mi!
Adorei tua visita e comentário. Aliás, qual blogueir@ não adora os comentários, né?
Não li o livro que você indicou, mas está anotado, obrigada <3
E é isso mesmo, a gente às vezes se perde achando que está no caminho mais certo do mundo, mas a saúde, a Vida, fica essa galera toda gritando "Volta, garota! Caminho errado, volta" E estou voltando.
E quanto a você, volte sempre...
Bessitos, fofa!

Patrícia Santos disse...

Lumita, linda!!! Pois eu fui mesmo, e mais ainda: ontem fiz uma meditação resgatando minha Criança Interior. Já te disse que você é uma bruxinha?
Bessos mis desta blogueira toda descatembada de tanta queda, mas feliz da vida, leve, leve!