domingo, 10 de junho de 2012

Conversando com a Coordenadora Pedagógica

Discutindo a relação. Imagem daqui
Sexta-feira deu tudo certo e cheguei à escola em tempo de conversar com a Coordenadora da Marina. Na semana anterior uma coleguinha fez aniversário e não levamos presente. Sequer daria tempo, pois a mãe avisou na véspera, apenas para que não levássemos lanche. Ou seja, o objetivo da mãe e da escola não era o presente, nem da garota, suponho.
O caso é que no niver anterior a Marina levou. Por pura coincidência, estávamos comprando um carrinho para ela e lembrei do niver do garoto daí perguntei a ela se ele não gostaria de um daquele, ela escolheu outro e levamos. Pronto. Pronto nada.
Ao chegar em casa pergunto sempre como foi a aula, o que fez, se lanchou, o que houve de novidade, o que cantou e quando perguntei se beijou e abraçou a aniversariante "Não, eu não levei presente". Dei uma risada alta e ela lá, séria...então me recompus e expliquei que uma coisa não tem a ver com a outra, que a gente abraça porque está feliz com a nova idade d@ coleguinha. Não teve jeito. 
O aniversário do pai seria dias depois então combinamos que "nada de presentes". Assim que acorda ela vem correndo para a nossa cama e nesse dia foi igual. Quando chegou lembrei que era aniversário do papai, cantamos parabéns, demos abraços e beijos e ela
"Cadê o presente?" 
"Não precisa, filha"
Marina sai correndo para o atelier, pega um papel de rascunho, dobra ao meio e entrega ao pai
"É seu presente. É um livro. De uma folha só. Pode ler"
Ele leu, é claro.
Como eu já estava com uma lista de pontos para conversar com a Coordenadora, desde antes da Pedagogia da Xuxa resolvi não deixar passar mais tempo.
Foi uma conversa tranquila, comecei pelo niver mesmo, que inclusive a própria estava presente e garantiu  não não ter havido qualquer ação no sentido de brecar o abraço de quem não presenteasse. Expliquei que acreditava nela, mas que seria interessante adotarem uma rotina diferente, que deixasse claro para as crianças que o afeto (no caso, representado pelo abraço) não tem relação com o presente. Ela concordou plenamente e disse que conversaria com todas as professoras da Educação Infantil.
Assunto 2: Pedagogia da Xuxa. Expliquei - porque quando se fala na Xuxa e no Lula parece que a gente precisa explicar, explicar, explicar - que pouco me interessam os filmes pornôs da Xuxa, o que me incomoda é o fato de ela ser um produto criado para vender outros produtos, enriquecendo uma cadeia de pessoas e frustrando outras tantas. Falei da representação de sensualidade que sempre foi clara nela, paquitas e paquitos e que aquele circo estava longe de ser feito para crianças. Depois dessa fala delicadésima perguntei porque minha filha estava sendo exposta a DVD da Xuxa na escola, se havia algo de pedagógico na Xuxa que eu desconhecia. LONGO PAPO depois "Na verdade, é só o XUXA 6, que tem as danças dos países, mas as crianças nem se ligam" AHN???
"Acho que se ligam, sim, viu? Mas se você diz que é só na sala de espera, é só o pai trazê-la em cima da hora da aula e então eliminamos essa etapa". PENEIRA, SOL. SOL, PENEIRA.
Daí sabe aquela hora que todo mundo já tomou todas, já tem neguinho dançando na boca da garrafa e ninguém pensa muito no que fala e alguém vira pra você e diz que tá transando com teu marido? QUASE. A coordenadora deixa escapar que os DVDs são P-I-R-A-T-A-S.
Balancei a cabeça, dramaticamente, Fernanda Montenegro pra cima, tapei a boca com as duas mãos e disse, em som abafado
"Não, mulher, não me diga isso. Não posso ouvir, vocês não compram originais?"
A pobre fez um ar de cansada "A diretoria acha que é melhor dar R$ 20,00 em 10 piratas do que em 1 original...em casa eu não faço isso, mas aqui não consigo mudar"
#morri
Ainda no ano passado visitamos várias escolas e sempre observei que os DVDs eram piratas. Liguei para outras e quando perguntava sobre isso as recepcionistas diziam que eram "copiados". PRÓXIMO!
Assunto 3: foi ela mesma quem introduziu, acho que adivinhou, pois eu ia reclamar que Marina havia sido maquiada pelas coleguinhas na presença das cuidadoras na sala de espera. Ela disse que já havia mandado vários avisos aos pais, pribindo trazer maquiagem ou esmalte para a escola, mas agora será mais contundente porque uma mãe reclamou que a farda da garota se perdeu por causa de uma mancha de batom e tals. ANRRAM. Eu lá falando de alergia, de micose, sapinho, bactéria...e o motivador parece que foi a perda da farda da mãe-reclamante-antes-de-mim.
ARGUMENTO É TUDO, SEDE É NADA!
É CA-LA-RO que estou pensando para onde levar minha pequena. É CA-LA-RO que continuo pesquisando outras escolas e o que nos faz insistir com esta é:
-> Marina ADORA essa escola, fica arrasada nos fins-de-semana;
-> Temos um bom diálogo com a Coordenadora e a professora dela;
-> Marina ADORA essa escola;
-> Marina é bem tratada por tod@s os funcionári@s;
-> Marina ADORA essa escola;
-> Precisamos que a escola seja próxima de casa para evitar trânsito e os consequentes perigos e cansaço de um percurso mais longo;
-> Não encontramos outra melhor e pensamos se não estaremos apenas trocando problemas conhecidos por novos problemas.
O texto ficou longo, embora eu tenha colocado o essencial mesmo. Tivemos um longo papo sobre o assunto no grupo Consumismo e Publicidade Infantil e esta publicação é um "retorno" necessário, senão o assunto ficaria lá, pendente...Embora aqui ainda esteja, neh?

Ótima semana para nós



3 comentários:

Maribel Barreto disse...

Uau! fez bem!
Vocẽ tinha muitas pendencias.
Fez bem, fez bem, fez bem.
A gente tem de ter tolerancia zero com essas coisas. Sorte da sua filha ter você presente que pressente!
Xuxa não é pedagogia é CONSUMO e ponto, é entretenimento, mas acho que você não está procurando uma escola que enlatem sua filha, né?
Vá com calma, mas tenha pressa... rsrsrs vocẽ vai encontrar uma escola bacana. Boa sorte!

Mariana - viciados em colo disse...

diálogo! é a única saída mesmo! quem sabe, aos poucos, você não vai mudando esta escola?
beijoca

Patrícia Gomes disse...

Espero e acredito que o diálogo seja mesmo o caminho, queridas!