sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Leve e traz ;-)


Pensei em escrever sobre leveza quando vi a imagem acima, que tenho guardada em minha coleção de imagens-que-acho-lindas. Fiquei olhando para ela por alguns segundos e senti seu peso. O peso da imagem. O peso do que existe na dimensão física.

A vontade de falar sobre a leveza, no entanto, persistia. Pus-me então a ouvir música e a voz de Zeca Baleiro numa balada romântica e uma guitarra perfeita me pareceram leves. Ouvi duas, três, quatro canções. O peso voltou. Da existência...será?

O que seria leve? Sobre a leveza de quê eu falaria? Neste momento, tudo pesa: o toque bem leve do carinho de minha filha, as passadas das pessoas, os sentimentos mais sinceros, o amor verdadeiro. Pesam. E a leveza, que tanto procuro, onde vou achar?

Dentro de mim existe um espaço. Não consigo precisar sua dimensão, porém sei que é lindo e confortável. Há nele carinhos, verdades, sentimentos, pisadas, cheiro de terra molhada de chuva e sol quente depois de tempestade. Há um "Eu te amarei pra sempre" que durou um beijo, o cartão de uma amiga de infância pedindo para reatarmos a amizade, a pista do aeroporto acendendo ao por do sol, estrelas cadentes, tontura depois de rodar com as vizinhas na calçada de casa, cheiro de gasolina do fusca do meu primeiro amado, minha mãe tirando meus tênis enquanto eu dormia, um amigo tocando violão para aplacar minha dor, mensagens de "força" de amigas distantes/ainda amigas/ex-amigas, cheiro de pescoço em abraços de despedida, poemas nunca escritos, brinquedos quebrados, torta de abacaxi quente que nunca comi porque precisava sair, salto de paraquedas, avenida Paulista à noite, todas as crianças com quem brinquei, nadar por debaixo de canoa, cambalhota na areia da praia, queda de patins, sorrisos de todos os lados e por todos os motivos, o primeiro choro de minha filha, o último sono de minha filha, o último beijo de minha filha.

E ficaram leves 
                         a imagem, o Zeca, as pessoas, o paralelepípedo*, as abelhas e os sons.


* Chico Buarque é único ser humano que faz essa palavra ser como outra qualquer. Aqui.

4 comentários:

Layse Veloso disse...

que leve, inspira o que nos gera essa sensação...delícia.

Patrícia Santos Gomes disse...

Layse, gata, obrigada pela visita e comentário <3

Elisiane L. disse...

Que lindo. Acho que somos pesad@s, e esses momentos nos libertam do chão as vezes...podiam durar mais :)

Patrícia Santos Gomes disse...

Elisiane, podíamos viver mais leves. Viver os momentos com mais presença...será que nos tornaria mais leves? Podemos provar!
Grata pela visita, amora!