quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Sobre ficações

Imagem daqui

Sim, fricções também, por que não?

O fato é que vou a um show em outra cidade com alguns amigos e estão todos na maior animação para as ficações. Minha previsão: vou assistir ao show sozinha ou algum deles vai se sacrificar por mim, o que não quero de forma alguma. Então comecei a pensar por que, afinal de contas, não faço o mesmo que eles.

Estava deitada, sem sono, quarto escuro, breu e silêncio - exceto pelo som suave do ventilador balançando minha roupa de trabalho pendurada no cabideiro. Pus a imaginação para funcionar. Serão quatro shows e escolhi o que teria mais clima para “uma ficada”. O problema já começou aí.

- E precisa da música certa? Né só olhar e gostar e chegar e beijar e num-sei-quê-lá, não?

Ah, a imaginação é minha, eu quero um fundo musical legal.

- Oxe, vou deixar de ver o show pra tá me agarrando com um cara que não sei nem onde meteu a boca antes de falar comigo?

Culpa de quem? De ter sido adolescente nos anos 80, quando a gente achava que pegava AIDS com abraço e beijo, quando os coordenadores escolares davam aula sobre os riscos de “queimar etapas e ser precoce”.
Tentei melhorar a cena e meti o Bradley Cooper

Melhorou bastante, hein? Acontece que não gosto de homens brancos e menos ainda com olhos claros. Tudo bem, é lindo, mas admiro como se fosse uma obra de arte.
Bradley em cores

Saquei Gael Garcia Bernal para dar mais estímulo à loba que existe em mim.
Yes, Gael pode ter olhos claros!

No momento em que me percebi escolhendo, selecionando, excluindo e separando, percebi qual é o problema - para mim - da ficação. (Estou olhando para Gael e continuo pensando como irei escrever). Senti como se estivesse em uma loja, olhando estantes e coisificando as pessoas. Obviamente estarei na prateleira de alguém, mas não me coloco nessa posição e não quero fazê-lo com os outros.

Respirei, aliviada, com o fim de menos uma crise da segunda idade. Não chega a ser uma questão moral, mas de gosto mesmo. A boca, o peito, os braços que irão me envolver não são desconectados do que essa pessoa sente e de como ela pensa...e não trago para meu universo pessoas desmembradas, quero pessoas inteiras, como eu busco ser.

E meu coração lembra - de novo - do livro Amor Líquido, de Zygmunt Bauman. Amo aquele velhinho fofo que fala com tanta lucidez sobre nosso eterno-mundo-novo!

3 comentários:

Elisiane L. disse...

Mesmo sendo o Gael, sem uma conversinha antes,não rola mesmo!

Patrícia Santos Gomes disse...

Pois é, Lisi, massss sendo o Gael, a gente fala com os olhos rsrsrsrs
Amutuh!

Patrícia Santos Gomes disse...

Pois é, Lisi, massss sendo o Gael, a gente fala com os olhos rsrsrsrs
Amutuh!