domingo, 19 de agosto de 2012

Ativista de amamentação - isso existe? BLOGAGEM COLETIVA

Blogagem coletiva sobre Amamentação para o Blog do Desabafo de Mãe

Moro no Nordeste, sempre morei aqui, entre Maceió (AL) e Recife (PE). Viajei para algumas cidades de outras regiões a trabalho e trabalhei em Caruaru (agreste de PE) durante algum tempo.Tenho uma filha de 3 anos e 10 meses que mamou até os 4 meses, quando paramos porque retornei ao trabalho.
Engravidei aos 36 anos, quando pensava que não mais seria mãe, então alguns temas ligados à maternidade são simplesmente novidade para mim e comecei a lidar com eles quando fiz este blog. É como se as coisas simplesmente não acontecessem.
Esse lance da amamentação, por exemplo. Eu sempre soube que amamentaria se tivesse filhos. Útero está para o bebê assim como os seios para a amamentação. 2 + 2 = 4.
Marina passou quase 15 dias para "pegar" meu peito, que tinha bico, que não rachou, que foi super-preparado durante a gestação, mas simplesmente não dava certo até que meu marido, olhando de frente para minha posição foi lá e deu o toquezinho que precisava. Era uma questão de ângulo. Nesse período estava na casa da minha mãe e saía para a Maternidade Santa Mônica, que é pública e péssima, mas tem uma equipe sensacional trabalhando no banco de leite. Eu ia até lá, ordenhava, doía horrores, eu era praticamente uma vaca holandesa, quando saía deixava meio litro de leite e levava uns potinhos para minha pequena tomar na seringa. A equipe amava me ver chegar! Antes de chegar em casa os seios já estavam cheios, pedrando, quentes e eu, febril. Num desses dias, meu marido, penalizado com meu sofrimento, aconselhou que eu tomasse uma injeção que fazia o leite secar e pronto. NUNCA! Estava tudo certo, eu tinha leite, ela tinha fome, meu peito tinha bico e ela tinha um bocão, faltava "alguma coisa" que ele mesmo resolveu depois.
Quando comecei a ver a história do "mamaço" achei muito estranho. Depois descobri que em alguns lugares as pessoas se escandalizam com a mulher amamentando em público. É aí que retomo a minha origem. Talvez por ser do Nordeste e ter crescido vendo mulheres oferecendo a mama nos ônibus, nas praças, nas feiras e filas, achasse isso tão comum. Confesso que agora não é mais tão comum como foi antigamente, mas não ouço ninguém dizendo que não vê a hora de parir e estrear a mamadeira. Os hospitais públicos e privados apoiam a amamentação, orientam, só não dizem que é difícil, NÃO dizem que NÃO É UM CONTO DE FADAS, NÃO dizem que algumas mulheres realmente não conseguem e não deixarão de ser mãe por isso.
Digo a todo mundo que o que criou o vínculo entre mim e Marina foi a amamentação. Eram momentos únicos, eu fazia questão de seguir o ritual quase sagrado, sempre na cadeira de amamentação, em silêncio, olhando-nos nos olhos, fazendo carinho nela, conversando, cantando. O mundo parava. Foi assim em TODAS as mamadas. Lembro de ter dado o peito fora de casa duas vezes apenas, em consultas dela, mas numa vez fiz dentro do carro, debaixo duma árvore com passarinhos cantando rs e na outra pedi uma sala vazia, pois a recepção do consultório estava lotada de pessoas doentes. Eu sabia que teríamos pouco tempo de amamentação e foi fundamental para estabelecermos nosso vínculo primeiro.
Hoje, ela adora quando falo sobre isso. Coloco-a no colo e repito tudinho, ela é uma verdadeira atriz, faz tudo que eu relato, até "adormece" depois do almoço. 
Hoje pegou uma boneca e subiu na minha cama pedindo para eu amamentá-la...depois me olhou e disse "Mãe, se a mãe dela sou eu, eu vou dar o peito, né?" "É, sim!" "Os dois, né?" (Isso eu não tinha dito srrsrs) "É, filha, os dois". Quando meu marido entrou estávamos na cama, eu lendo e ela amamentando a boneca. 
E acho que a cena merecia um quadro!

6 comentários:

Ceila Santos disse...

Patricia, legal ver que você traz esse olhar da naturalidade de amamentar em público da sua região. Eu também vivencio isso aqui em alguns lugares em São Paulo, mas vivo também o outro lado de perceber o preconceito e a surpresa nos olhares...Ouço histórias piores de amigas internacionais onde a cultura urbana reina e não cabe uma mulher amamentando dentro dos lugares públicos...Fiquei com uma pulguinha: você acha que poderia ter amamentado mais mesmo com a volta ao trabalho, ou não?

Luma Rosa disse...

Que graça a sua filha!!
Acho que a frustração de muitas mães que não conseguem amamentar advém desse episódio que relatou: Não dizem para elas das dificuldades e sempre veiculam a imagem da tranquilidade. Pois é, só depois de vencidos os obstáculos. Parabéns pela sua perseverança. Parabéns pelo companheiro de jornada!! Beijus,

Lili Szili disse...

Adorei seu post! A questão da maternidade tardia acontece com muitas mulheres. Tanto eu como você somos mães de meninas, e isso é muito rico! Temos a oportunidade de começar a mudança cultural sobre maternidade/parto. O exemplo que você deu da sua filha é algo riquissimo para a vida de uma mulher. Lindo demais!
Beijos
Lili

Patrícia Gomes disse...

Olá, meninas, obrigada pela e comentários. Respondi à pergunta de Ceila no Blog Desabafo de Mãe e achei interessante colocá-la aqui também. Qdo retornei ao trabalho morava numa cidade e trabalhava em outra, sendo que a casa era o ponto extremo em relação à outra cidade. Trabalho no aeroporto e a famigerada H1N1 estava chegando, entrando com tudo justamente pelos aeroportos. Consultei engenheiros p/ saber se havia algum lugar onde eu pudesse ordenhar sem NENHUM risco de contaminar o leite, por conta de ar condicionado e outros fatores. Não havia. Não tínhamos como alugar a máquina de ordenha e nem tínhamos como comprar...então, julgamos que foi a solução possível.

Anônimo disse...

Doce relato! Realmente ninguém alerta para a dificuldade de adaptação no início, acho que por isso muitas mães desistem tão cedo.
A maternidade é um eterno exercício de paciência... Bjão

Patrícia Gomes disse...

Paciência! E quando a mãe é uma impaciente de carteirinha como eu aí a lição é dobrada! :-*