sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Arrumação é ponto de vista

Quanto mais desorganizada estou internamente mais necessito que o ambiente físico no qual convivo esteja organizado. Quando isso não acontece entro numa perda de energia imensa, e lá vou eu num ciclo duro de sair. Porque arrumo, “a coisa” desarruma, canso, me angustio, volto a arrumar só que mais cansada e fico ainda mais angustiada vendo tudo fora-do-lugar fora de mim, já que dentro de mim não estou conseguindo organizar. E o cansaço é imenso, não é somente do corpo. Eu chego em casa do trabalho, mesmo que esteja limpa, quando vejo uma cena como abaixo parece que uma mangueira fina vai levando minha energia lá para o beleléu...um lugar jamais localizado, tipo o castelo onde fica o Santo Graal, sabe?

Consciência. Eu tenho consciência de que essa realidade só poderá mudar de uma forma: contratando uma empregada doméstica. Como isso não vai acontecer quem terá que se modificar é a mamãezinha aqui. Precisarei separar meu incômodo interno da realidade externa. Precisa ser gênio ou fazer terapia para chegar a essa impressionante conclusão? É claro que não, é que eu preciso ler para internalizar o babado, entendem? E também preciso de estratégias, preciso de planejamento, não adianta!

Resolvi então adotar um cômodo por vez. Primeiro foi meu quarto, que com a redução de móveis, consigo arrumar rapidinho porque não há onde pendurar nada e nem o que pendurar, já que não há roupeiro nem sapateiro ali. Parti para o quarto da Marina, que precisou escolher apenas três brinquedos e os demais foram para o roupeiro (todas as nossas roupas, inclusive toalhas e jogos de lençol estão aí).
Área de serviço
A área de serviço não deveria produzir muitos transtornos, mas como eu comprava material de limpeza para o mês inteiro precisava usar dois armários...solução simples, diminuir na compra, fazer uma decoraçãozinha e tals. Ok, enquanto a roupa está sendo lavada não funciona, mas o bom é que sou vou lá quando TENHO que ir, então já sei o que me aguarda.
Parei aí. A cozinha é do Paulo e fico com a limpeza do fogão e geladeira – só isso. O atelier eu já tinha passado para o poder de Paulo e Marina, depois do tamanho sofrimento que me causou, então entro e saio e nada sinto.
Atelier num dia normal
 Infelizmente não consigo o mesmo desapego com relação à sala. Talvez por ser o local com o qual me deparo primeiramente, queria que fosse assim, mas sem esses badulaques da mesa:
(Não lembro de onde tirei. Guardo numa pasta cujo título é "EU QUERO")
 O que a realidade me oferece:
Sala em dia normal - exceto pelo varal que nunca está ali
Para quem pensa que fiz essas fotos para escrever esta postagem a resposta é negativa, foi para uma apresentação sobre limpeza e organização para o grupo de pessoas com os quais trabalho. E por que fiz isso? É que cada equipe não-limpa a área de “seu” jeito e jura que está limpa. Daí minha chefe vai lá e cobra de mim a limpeza “real” do espaço. Aproveitei e inclui a limpeza na pauta da próxima reunião e fiz as fotos para mostrar-lhes que uma pessoa pode olhar esses locais e achar que não há o que arrumar. #comassim?

Explico: a casa estava exatamente nessa situação aí quando fui saindo para trabalhar, e disse:
- “Paulo, tu dá uma arrumadinha na casa?”
- “Em quê?”
Este é o momento em que a sabedoria feminina e o autocontrole entram em cena.
- “Faz assim, você vai em cada cômodo da casa, se achar que algum precisa de arrumação, você ajeita, só isso.”
Quando cheguei à noite encontrei tudo como estava pela manhã. Fiz questão de não modificar a cena do crime fato e fiz as fotos que usarei na reunião. Para mostrar o quê? Que noção de organização e limpeza cada um pode ter a sua, mas precisamos definir um PADRÃO, que deverá ser seguido.
Bom, mas trabalho é trabalho e casa é casa. Cabeça é cabeça e cada um tem a sua. Não deve ser à toa não.

2 comentários:

Sandra Xavier disse...

Navegando no seu blog!!! Muito boa escrita!!! Adorei...

Patrícia Gomes disse...

Que legal, Sandra, obrigada! Acho que todo bom leitor quer ser bom escritor, neh? :-)