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domingo, 28 de junho de 2015

Aula grátis de não consumismo

Vídeo gravado no Dia das Mães, com a fofinha ainda revoltada


No sábado anterior ao Dia das Mães minha pequena perguntou se íamos comprar o presente de minha mãe. Ao invés de simplesmente dizer que NÃO e explicar a razão (aquele papo de data comercial que todo mundo já sabe, inclusive ela) levei-a até a sala de dança, que é onde fica nossa TV, cuja função é apresentar DVDs e liguei num canal aberto. Obviamente, se não assisto TV, não tenho assinatura de canais fechados.
- Vamos ver TV um pouquinho e olhar as propagandas, tá?
Passou de lavadora de roupa, de automóveis, de roupas, de perfume, de frango...
- Mãe, kkkkkkk já pensou a gente chegar com uma galinha pra dar de presente pra minha vó? Peraí, mas quem compra isso pra presente?
"Mim" calada...
- Mãe, eles querem que a pessoa compre tudo! Assim também é demais, tem coisa que a minha avó nem precisa, meu Deus!
"Mim" calada...
Aí deu-se o caso. 
Uma loja de departamentos resolveu fazer uma propaganda cujo slogan dizia que "O melhor abraço é o da Moda" ou algo assim...PRA QUÊ!?

Marina levantou-se num salto, com a voz ainda mais alta do que já é e disse exatamente o que está aí no vídeo. O que não está aí é o que ela disse depois:

- Mãe, se lembre: a gente nunca mais compra na Riachuelo! Ela não dá valor à mãe! Humpf!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quando um esmalte não é apenas um esmalte

Esmalte licenciado - Mauricio de Sousa
Tentarei explicar, com este exemplo, porque não compro produtos com imagens de personagens de desenhos animados, de histórias em quadrinhos, ou licenciados de qualquer forma.

1º. Quem lê gibi A Turma da Mônica? Crianças, adolescentes, adultos...?
2º. Quem é o público-alvo dos produtos com os personagens da Turma da Mônica? Crianças, adolescentes, adultos...?
3º. Quando minha filha de 6 anos, se lesse gibis da Mônica, visse o esmalte da foto acima:
a) ela gostaria de tê-lo, por ter ligação afetiva com as personagens;
b) ela entenderia que esmaltes não devem ser usados por crianças;
c) o esmalte não chamaria a atenção dela.

Aí os defensores do Mauricio de Sousa e seus produtos licenciados usam o exemplo das frutas. "As crianças irão querer comer a maçã da Mônica e isto é saudável". E também vão querer comer o Macarrão tipo Miojo, usar esmalte com 6 anos de idade, sandálias de salto, maquiagem, etc etc etc. Não!? Por que não?

Procuro evitar que o AFETO e a IDENTIFICAÇÃO que minha filha sente por determinados personagens dos quais ela gosta sejam manipulados a ponto de ela ser LEVADA A QUERER qualquer coisa que esteja com a IMAGEM daquele personagem.

Elsa e Ana, as irmãs do filme Frozen

Nós amamos o filme Frozen. Marina é a Elsa e sou a Ana. Quantas vezes ouvi zilhões de pedidos para comprar algo de todos os personagens do filme, visto que somos fãs de todos eles? Até que um belo dia passávamos em frente a uma vitrine e havia uma camiseta linda com a figura da Elsa. Fomos fisgadas pela imagem e minha pequena, como que hipnotizada, foi se encaminhando para lá, colocou as duas mãos no vidro e falou, para si mesma:
- MEU-DE-US! Nós não compramos produtos licenciados e isso É-LIN-DUUU!
Virou-se para mim:
- MÃE!
- Vamos entrar e ver de perto, parece linda... (putz, eu estava morrendo de vontade rir com a frases "Não compramos produtos licenciados")

A camiseta era de boa qualidade, podíamos comprar e era (é) linda mesmo, então expliquei porque estávamos comprando. Inclusive a comparamos com outros produtos e optamos por este mesmo. Já comprei duas roupas com imagens de desenho animado porque não assistimos TV então não sabia do que se tratava.
Assim sendo, abro exceções. Em casos específicos e muito raramente.

Mesmo sem vermos TV em casa ela tem contato com outras crianças, que mostram seus brinquedos "da moda", vê TV na casa de parentes, o apelo está em praticamente cada gôndola de supermercado, loja, escola, ônibus, enfim...conte quantas crianças passam por você com uma roupa estampando UMA Princesa da Disney em uma hora de caminhada pelo comércio de sua cidade ou em algum shopping ou mesmo num free day na escola de sua cria!

Este é o meu motivo. Não estou dizendo que seja o melhor caminho para todas as pessoas e que isso vá ser a salvação para que minha filha não caia numa rede de consumismo. É a MINHA ESCOLHA. 

ESCOLHA.

Daí quando alguém diz que não quer que o Governo tire a publicidade infantil da TV porque não quer que O GOVERNO ESCOLHA ela não percebe que quem está definindo a escolha de suas crias é a indústria-do-consumismo-infantil.
A propaganda não deixará de ser veiculada, mas deve ser veiculada para quem tem discernimento para escolher, para quem o dinheiro para comprar e decidir, ou seja, os adultos. Não vou entrar na discussão para lá de rasa sobre o que os pais - ops, as mãe, sempre as mães, tinha esquecido - permitem que seus filh@s vejam e queiram. Até entro nessa se alguém me disser que não é nada demais  o fato de o Brasil ser o SEGUNDO PAÍS NO MUNDO EM QUE AS CRIANÇAS PASSAM MAIS TEMPO DIANTE DA TV POR DIA.

Já me estendi demais e até saí do foco, mas vou deixar a meada para fazer outra laçada mais tarde, noutra postagem e também para vocês deixarem suas opiniões aqui nos Comentários.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Antes eu era generosa, agora sou xiita

Imagem daqui
Já falei do Seu Carlito aqui. Ele continua, como vem fazendo há anos, limpando a lixeira dos 16 apartamentos do nosso prédios e todos os dias vem recolher os recicláveis que são rentáveis para ele: alumínio e plástico.

Há alguns anos, ainda namorando (own que lindo), meu marido disse que eu era muito generosa. Achei o elogio exagero de apaixonado, embora tenha ficado lisonjeada. Resolvi fazer uma pesquisa entre amig@s, colegas e familiares e foram unânimes, então aceitei o que acredito ser herança paterna. Outro dia desses Paulo me repetiu a observação, então acho que ao menos nisso não mudei.

Na fan page do MILC (https://www.facebook.com/InfanciaLivredeConsumismo) rolou uma discussão após uma postagem sobre o Mauricio de Sousa. Parece que @s leitor@s não entenderam bem a OPINIÃO do Movimento e criou-se um alvoroço. Está lá, dentre os comentários a ofensa de que o grupo estaria sendo "politicamente correto demais"*.


Tenho escutado muita gente xingando as pessoas que querem fazer o certo de politicamente corretas ou politicamente correta demais. Eu ia falar uma porção de coisas, mas encontrei a imagem lá de cima que diz tudo. É o velho lance "uma imagem vale mais que mil palavras".

As pessoas que fazem o MILC trabalham dentro e fora de casa, estudam, tem família, doença, problemas, morte da família, não são ricas e bancam $ o movimento. Elas já pensam daquele jeito e é assim que criam sua descendência. Só que para elas isso é pouco. Querem o bem para um leque maior de pessoas. Então...tchamram...se desdobram, doam horas de sono e descanso para fazer a coisa acontecer, pensam sobre o assunto, pesquisam, debatem, escrevem (para mim, uma das partes mais difíceis do processo)...simplesmente porque querem que o filho do njhdqufnfh que mora na mfclajrwur tenha uma vida digna.

Além da iniciativa de separar os recicláveis tenho outras atitudes normais, generosas, cidadãs, que servem de chacota, e dão-me a pecha de louca ou xiita. Coisas simples mesmo, como organizar o chá de bebê da adolescente-aprendiz que mora na periferia mais violenta da cidade e será mãe solteira ou recusar sacolas plásticas quando o produto adquirido cabe na minha bolsa ou levar para a UFAL, fono e para a psicoterapia meu próprio copo - evitando o uso dos descartáveis.
Será que quero salvar o mundo com a caixa de recicláveis que instalei aqui no nosso andar ?

Alguém aqui do prédio vive roubando o balde que seu Carlito usa para lavar a lixeira. Seu Carlito se aborrece com isso. Para ele, é o maior problema que enfrenta aqui. Trabalha sem luvas, com uma vassoura pra lá de velha e cantarola o tempo todo. Seu Carlito adora minha Marina. 

Mesmo que eu não estivesse nem aí para o futuro do planeta, eu conheço Seu Carlito. Seu Carlito não conhece Manuel Bandeira nem o poema abaixo. Mas eu conheço.

O BICHO
Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.
Rio, 27 de dezembro de 1947.


* Vale a pena ver esta definição http://pt.wikipedia.org/wiki/Politicamente_correto

segunda-feira, 2 de julho de 2012

CARTA ABERTA AO CONAR

Carta Aberta ao Conar
Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)

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