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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Que mãe estarei sendo?

Um coração e eu
Pensei em escrever sobre o Dia das Mães, mas não havia imaginado nada do que sairá a partir de agora.
Sabe aquele banho, depois dum dia de trabalho cansativo e regado a enxaqueca? Lá estava eu, naquele banho que, em se tratando de uma mãe, não dura mais do que 5 minutos e sem qualquer vestígio de silêncio. Afinal, ou você está falando com a criatura que se negou a participar do banho ou ele durará 2 minutos e você sairá pelada casa afora para saber o motivo daquele silêncio!
- Mããããiiiiii...abre a porta, vê iiisssoooo....
- Meu amor, não enxergo bem sem óculos, é melhor eu sair...
- Mãe, vai, eu boto perto
Abro a porta e vejo o desenho acima. Um cartão que tem escrito TE AMO e a imagem abaixo, num papel A4 descuidadamente dobrado.
- Meu Deus, que lindo!!! (Acabou-se o banho, menos de 5 minutos após ter começado)
Olhei os braços fortes desse desenho e senti muito orgulho de mim! Foi meu espelho, com meu coração materno colorido ao lado.
Jamais esquecerei uma explicação que Marina me deu, muito concentrada, pausadamente e colocando a mão sobre meu peito e sobre o dela, conforme me ensinava sobre a vida:
"Mãe, se alguém olhar dentro do seu coração...vai me ver. Se alguém olhar dentro do meu coração, vai ver você." Marina, aos 4 anos.
Quanto a mim, estou sendo uma mãe "suficientemente boa". Muito feliz por isso!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"As fadas fadam"

Linda fada na lua de Marina
Quando li pela primeira vez Fabiana Pereira, da Fabiluli que ta na lista das 10 coisas que você precisa fazer antes de morrer dizer que "as fadas fadam" eu achei tão lindo - lindo, poético e perfeito! Quando a fada fada, ela age! Vira verbo! Toma vida e habita entre nós! E que companhia tão sublime!
A partir de então, comecei a pensar duas vezes quando Marina pergunta se tal coisa existe ou não existe. Por exemplo: "mãe, o homem-aranha não existe, né?" Ela ama o HA e eu era sou igual eu respondo: "Como não? Olha o desenho dele, a imagem dele, ele em desenho animado. Eu acho que ele não é gente, mas se está ali, existe." Aí faço uma pergunta: 
"E vento, Marina, existe?" 
"Ai, essa minha mãe, é claro, né?"
"É, é verdade, a gente sente...o da praia tem até cheiro, né? O do pum também (ela morre de rir), então existe"
Ontem chegou da escola com uma novidade: a escola fez uma varinha de condão para cada estudante e cada um@ poderia fazer seu pedido. A primeira coisa que ela me disse, quando entrei no carro: 
"Mãe, perguntei ao meu pai se ele acredita em fada"
Eu já sabia a resposta
"E ele?"
"É claro, né?" Disse Paulo, confiante e contundente
Foi então que ela foi contando tudo o que tinha acontecido e sobre os pedidos d@s coleguinhas.
Venho de semanas de trabalho estafantes que, graças a Deus, ontem explodiram numa discussão. Havia uma tensão muito forte no ar e isso estava me consumindo. A discussão foi péssima, é claro, mas pelo menos a pessoa colocou toda a carga para fora e espero que ela não tenha mais em casa para reabastecimento imediato :-) Sei que minhas duas últimas duas horas de trabalhos foram absolutamente improdutivas. Cancelei uma cirurgia que faria hoje, pois preciso estar equilibrada para certas intervenções.
À noite, ao ver Marina dormir, tudo o que eu queria era que orações de mãe feitas ao pé da cama enquanto a filha está cercada por fadas que velam seu sonho e cultivam seus sonhos tivesse mais força do que tudo neste mundo. 
Sabia que a Vida não poupa ninguém do tipo de experiência que vivi, mas pedi a Deus que minha filhota esteja no trabalho que é o desejo de seu coração no momento "moça rasgadora de papel na hora de entrar no cinema" e isto lhe encha de tanta alegria que passar pelo que passei não mexa tanto com ela.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O novo quarto \o/

Agora, assim
Sabe aquele lance de Antes e Depois? Olha só se eu fizer:
Antes
Depois




Eu sei que a ideia é mostrar a desgraça e depois a lindeza que ficou, mas na verdade não tiramos foto da "desgraça", que foi quando compramos o AP, então só temos as imagens legais. Desta vez até que fotografei - de onda mesmo, alguns momentos da pintura, mas porque demorou muito. Aliás, santo de casa...é aquela coisa que todo mundo sabe, né?
Cobri o roupeiro com tecido de algodão, ainda no ano passado
Muita coisa permanece, como a luminária, o tapete, o cavalo (não dá p/ ver, né? rsrs) e todos os bichos de pelúcia, a diferença é que agora Marina só tem à sua disposição 4 brinquedos por vez, já que não consegue guardar mais do que isso. Então os demais ficam guardados e quando quer algum, trocamos.
A IDEIA de mudar a pintura já vinha de quando ela tinha 4 anos, mas cadê coragem, nem minha nem de Paulo? Até que um dia, deitadas em sua cama, Marina e eu conversávamos sobre a pintura na parede e ela foi dizendo que poderia ser outra, que não gostava de fulana por causa disso-e-daquilo...aí meu coração foi ficando tranquilo porque o desejo partiu dela. Continuando, perguntei então o que colocaríamos ali e GRAÇAS AOS CÉUS (após 150 mil opções faladas à velocidade de 0.6 milésimos/segundo) "A LARA, MÃE!" foi a opção.
Lara é a princesa que inventei numa noite em que Marina quis brincar de princesas-amigas e não conseguimos encontrar nenhuma princesa que tivesse amigas. Daí ela sugeriu que eu fosse o cachorrinho da Barbie, eu não aceitei e brincamos de outra coisa. Postei isso no grupo Consumismo e Publicidade Infantil e Silvia Schiros deu-me a ideia de criar uma princesa que tivesse amiguinh@s. Pois bem, surgiu Lara, que na verdade é o nome da amiguinha imaginária de minha pequena, a única personagem-sem-boneca que ela criou e que agora tomou forma, virou boneca pelas mãos de Renata Pimentel e usa roupa parecida com a que Marina usou em seu niver de 5 anos.
Lara e Marina
Sabe mulher apaixona por bolsas, viciada em sapatos? Sou eu...com bonecas de pano! Daí vou e conheço Fabiluli e vou comprando...pra brincar, decorar...e cadê coragem para nem retirar da embalagem!? Com a nova arrumação do quarto as fadinhas saíram do armário, mas as bonecas só saem quando estou presente. Apenas a Lara permanece dia e noite na cama de Marina. Ah! A cama! Sei que a nova cama está levando as mães ao delírio e posso assegurar que ela tem tuuudo a ver com a história da Lara, assim como os demais elementos do quarto.
As fadinhas (arte: Fabiluli) e Lara (arte: Renata Pimentel)

Uma é da Marina, a outra é minha

Foi Marina quem escolheu o que escrever na porta do quarto e a mamãe aqui, finalmente, conseguiu colocar o tão sonhado cabide de fantasias ao lado do espelho. Por quê tão sonhado? Porque desde que minhas sobrinhas nasceram eu pensava em fazer isso, sugeria mas não rolava e só agora, com anuência da pequena e já com algumas fantasias no roupeiro, o negócio deu certo :-) Tempo, tempo, tempo...
Acima do espelho o quadro da porta da maternidade
Quando Paulo e eu começamos o namoro ouvimos uma música no rádio e achamos linda, mas não sabíamos de quem era. Fui à famosa Banca do Aldo e lá encontrei Lui Coimbra. Levei um aparelho de som para a maternidade, para o caso de precisar ficar mais do que um dia. Precisamos instinto materno Num dia em que Marina estava chorando muito e nenhuma "musica para criança" a acalmava coloquei Lui e ela parou... ... abriu os olhões ... ... olhou na direção da música ... e ficou sem chorar... até a música parar :-)
No mês passado Paulo colocou Lui no carro e Marina adorou. Aprendeu a letra, e pedia para repetir toda vez que a seleção terminava. Por conta disso, na parede do quarto que antes tinha parte da música que Paulo fez quando ela nasceu agora tem parte da música de Lui Coimbra...
"Onde Mora o Sol"
Marina, assim como a maioria ou toda? das meninas gosta de cor-de-rosa, cor que vocês não encontraram muito no quarto e quem me conhece já está aí sabendo o motivo. Mas, "para não dizer que não falei das flores" catei uns frufrus que havia comprado para uma brincadeira e coloquei nos puxadores do armário baixo e ficou essa belezura de breguice aí - que ela adorou e é o que importa! O quadro acima Paulo o fez há muitos anos e Marina disse ser ela, por isso agora mora em seu quarto.
Frufru combinando com o chapéu da guerreira (coincidências existem!)
Finalizando, a fonte que há 8 meses procurava, finalmente encontrei e casou perfeitamente com o quarto da mocinha, então ficou por lá mesmo. Coloquei lá meus cristais e as pedras que Paulo traz de viagens e acontecimentos importantes de sua vida. Às vezes pego emprestado, às vezes acendo a luminária, ligo a fonte e me "reiko" lá mesmo, outras vezes simplesmente deito no chão geladinho e ... respiro.
By Vrage, no Pavilhão do Artesanato

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Desapego de mãe

Sim, meu vestido novo, nunca usado, já pintado


Para quem é mãe de primeira viagem, mas bem no comecinho mesmo...aprenda agora pq vc começa a escalada para o desapego. Eu comprei pela Net O VESTIDO! Chegou mais bonito do que eu esperava. Lavei meu vestido de crepe, pendurei e saí para trabalhar. Marina, decidiu - depois que o pai mandou-a limpar o tapete - que aquele monte de pano ali pertinho era a melhor ferramenta. Quando Paulo viu lá estava Marina e o vestido voando sala acima-abaixo...varrendo tintas e gliter. A manchinha clara, não se enganem, é apenas uma pataca mega-endurecida de gliter em cima de uma básica tinta verde-limão para tecido. O resto: tinta azul para parede. Só.
Não senti vontade de chorar, juro. Vesti, vi que não dá pra usar aquela esculpa "putz, acabou de sujar no carro!" e fazer cara de Monalisa. A barra, do lado da tinta, fica até mais pesada.
- Ow Marina, vem cá. (Veio) Olha isso aqui...
- Eita mãe (...arrasada...) desculpa. Rapidamente se recompôs e: Olha, meu pai é artista, pode deixar que ele resolve isso pra você!
- Acho que não, Marina, eu já falei com ele.
- Eita, mãe, desculpa mesmo.

Nem me aborreci, de verdade, por isso que o desapego é real :-)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mais uma lua para Marina

Quantas noites de luas "marinadas" tem o mês, quantos meses tem o ano, quantos anos terá Marina sobre a Terra? Quanto tempo (tempo?) teve Marina antes de estar dentro de mim? Que quis dizer Marina quando, muito séria, me olhou fixamente e disse:

"Eu escolhi você pra ser minha mãe. Entendeu?"
Daqui

Mon petit Marie (a gatinha que gosta tanto), desde que você nasceu TODA VEZ que você adoece eu me descompenso. Não é que fique nervosa, chorosa, deprimida, nada disso. Fico lenta. O raciocínio fica tão diferente de mim que aguardo o semáforo abrir e fechar e somente pela segunda vez sou capaz de atravessar a rua.
Minha princesa...minha princesa nada-a-ver com as que conhecemos...há cinco anos eu chorava se você não mamava "direito", há quatro eu pensava que um dia conseguiria trabalhar direito deixando-a febril em casa. Há três eu jurava que em breve o dia do teu aniversário não seria o dia mais importante do ano e quando você parou com os resfriados mensais senti-me absolutamente madura e fortalecida - finalmente, era uma mãe forte! Amada minha, com a saúde que você tem, como posso ser testada?
A médica da emergência, ontem, receitou antibiótico. Achamos por bem aguardar o que diria a tua. Concordou com a medicação, mudando apenas a droga. Você ainda tem febre, mas já não está nauseada, faz planos para construção de casa com os lápis de cor que compramos recentemente e está ali, de olho, esperando eu sair do PC para escolher seus desenhos prediletos.
Sendo assim, volto a ser a mãe super-poderosa \o/ pode confiar em mim, ok?
(Mil beijinhos da mamãe.)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Pés da Marina dormindo na minha cama
Esse carimbo azul nos pezinhos inocentes de meu anjinho são da poeira da parede de seu quarto, que foi lixado para receber novo painel e novos móveis. Obviamente ela só anda descalça.

Sempre achei minha mãe é muito romântica em relação ao que nós, suas filhas, fazíamos quando éramos crianças. Eu imaginava que se tivesse filhos seria muito diferente, nada a ver com ser megera, mas seria mais racional.

Sabe aquelas manias que todo mundo tem? Eu tenho mania de cama linda, se ela estiver desarrumada quando eu for dormir, eu simplesmente dobro os cobertores, alinho o forro do colchão, os travesseiros, e daí...desajeito tudo de novo :-)

Aí vem meu anjinho, toda animadona, descalça, suada, se joga na cama do jeito que está e a recebo, descalça, suada, do jeito que estiver. Porque ela é sempre bem-vinda! Porque sempre estou sedenta por ela! Porque tenho máquina de lavar roupa!

Entra ano, sai ano, meu amor por ela não muda. Não aumenta, porque S I M P L E S M E N T E não é possível. 

P.S.: acho um estado de loucura que agora não nomeio mais como momentâneo, como fazia quando ela nasceu.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

5 anos da Marina

By Marina

Amanhã minha preta faz 5 anos. Ao findar a tarde, há cinco anos, renascia eu. E é o que tenho feito todos os dias, desde então.
#amormaiordomundo

terça-feira, 23 de julho de 2013

Passo a Passo da vitória!

Concentração
Quantas vezes paramos para reparar nos desafios que nossos "bebês" vão superando? Nesse dia pude observar e registrar Marina abrindo uma bala cujo papel estava bem colado ao doce.
Em momento nenhum pediu ajuda. A prima se ofereceu e ela disse que queria abrir.
Analisando  
Conseguindo
Conferindo se não pedacinhos de papel
E a vitória! \o/
Espero que o sabor da vitória tenha sido tão/ou melhor do que o da bala degustada. Para mim, presenciar esses momentos são viagens ao Paraíso!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A maternidade, a sombra e o tempo certo


O livro da esquerda, com alguns marcadores, foi emprestados de uma "amiga de face", a quem muito sou grata - e sequer nos conhecemos pessoalmente. Como estava terminando leitura de um estudo que não podia parar, somente no dia 28/06 comecei a ler A Maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman.
Acho que sou a última mãe da blogosfera materna a lê-lo e ao contrário das mulheres que o fizeram depois de ser mãe e dizem "Pena não ter lido antes" comigo aconteceu o oposto: ESTE É O MOMENTO CERTO!
O da direita é meu/nosso, chegou hoje pelos correios, pois no dia em que iniciei o livro já comprei meu exemplar e olha como chegou rápido! Comprei-o principalmente para emprestar, mas sei que voltarei a ele muitas vezes. Eu ia lendo e pensando numa amiga, numa conhecida, na professora de Pilates que quer ser doula...tinha que estar na minha estante.
Livro difícil de ser digerido por quem teve uma gestação "normal", violada, pressionada, com uma assistência "profissional" da obstetra que desconsiderava completamente meus "sentimentos e sensações" e a cada mal-estar relatado eu recebia um sorriso complacente e a frase "É assim mesmo"; livro que "pulei páginas" ao me lembrar que tive que brigar com a equipe médica e assinar um termo de responsabilidade para sair do hospital que insistia em manter-me lá até Marina pegar o peito - coisa que ela só fez após 15 longos dias de nascida. Diárias e diárias e diárias, porém o hospital tinha apenas 01 máquina de ordenha e eu tinha que ficar lá, com os seios pedrando e febril, enquanto alguma outra coitada sofria em outro apartamento.
Antes deste livro li a apostila do curso de Reiki e o livro Mãos de luz (do qual falarei depois), de Bárbara Ann.
Sem o suporte que estas leituras anteriores me deram estou certa de que não conseguiria reter deste livro tanto quanto ele tem para dar. Meu marido às vezes lê para mim e numa dessas vezes parou a leitura (que era sobre amamentação) e perguntou "Você diz que não quer ter outro filho, por que está lendo sobre maternidade?" e expliquei a gama de assuntos que o livro aborda e que maternidade não é somente aleitamento e gestação.
Há cerca de três meses percebo que Marina, no contato comigo, tem se comportado quase como um bebê. Ela falou tarde para os padrões vigente, no entanto quase não atropelou palavras; agora, novamente bebê,  fica inventando palavras erradas e quando digo que ela nunca falou assim quer logo saber como era para fazer "certo". Pergunta reiteradamente sobre a fase da amamentação, coisa que tenho o maior prazer de teatralizar com ela e nos divertimos demais com tudo. Procurei saber se o comportamento se repetia na casa da vó, praticamente única casa que ela frequenta afora a nossa e disseram que não, apenas que estava um pouco agressiva, principalmente com as primas (gêmeas de 11 anos). Fizemos o Dia do Brincar num orfanato e percebi que ela não se incomodava com o pai rodeado de meninas, mas perto de mim não podia chegar umazinha e lá vinha Marina falando em linguagem tatibitati, pedindo "coinho" ou reclamando alguma dor. Na escola, tudo certo, nada fora do contexto.
Traduzi como "falta da mãe" e como as férias de um mês estavam chegando fui me afastando de outros compromissos (como arrumar a casa, estudar, acessar ao facebook, usar o computador) e passei a dedicar-me mais a estar com ela fazendo o que ela quisesse.
Com a leitura do livro essa "regressão" de Marina agora tem um sentido muito maior, minhas "escutas" foram ampliadas! Reconheço que por ter voltado ao trabalho quando ela tinha 5 meses e não ter conseguido manter a amamentação por passar 12 horas fora (trabalho noutra cidade) nosso vínculo ficou estremecido...talvez frágil e certamente ela precisa mais de mim do que eu poderia imaginar. Nunca pensei num cordão umbilical entre as nossas auras, nem que o vínculo mãe-filh@ durasse até cerca de 14 anos.
Em férias desde o dia 1º, com dedicação prioritária a ela, tenho uma menina carinhosa, que se emociona e enche os olhos de lágrimas quando diz que me ama. Outro dia disse "Mãe, se tirarem uma foto de mim, você vai aparecer no meu coração e se for uma foto sua eu vou aparecer no seu porque é onde a gente mora".
Conversando comigo, hoje à noite
Sem a leitura desses livros, eu já teria marcado uma sessão com minha ex-psicóloga para receber alguma orientação sobre como impedir que ela seja tão dependente de mim. Só que ela não é! Ontem mesmo queria ir embora com o cunhado, namorado da irmã, para Salvador, se despediu de mim e disse que depois voltava, mas não sabia quando. Iria pedir ajuda para agir como nossa sociedade define como sendo o melhor para nossas crias, "desconectada da nossa intuição".
MUI GRATA A CEILA SANTOS, ONDE LI PRIMEIRO SOBRE ESTE LIVRO, E A SANDRA XAVIER, QUE O CONFIOU A MIM SEM SEQUER ME CONHECER

terça-feira, 19 de março de 2013

Carta para Marina - Março/2013

Libertando as bolhinhas de sabão
Numa noite dessas, saindo do trabalho, vi "a lua de Marina". É como chamamos a lua que estava no céu quando ela nasceu. Então pensei: "Vou escrever para ela toda vez que surgir sua lua". Esta é a primeira. Decidi também que o tema seria o que viesse à mente naquele dia, mas já a foto seria essa! Linda, suave, doce, brincante!

"Minha pequena, você tem quatro anos. Fala bem as palavras, pulou a fase do tatibitati, então é comum as pessoas se assustarem com o que chamam de "falar explicadinho". Não sabem que você é articulada. É também inteligente, sagaz, ardilosa, irônica. O fato de percebermos sua sagacidade e ironia bem cedo deu-me a liberdade de enfim, não me achar uma miserável-pecadora, pois nisso somos iguais. PORÉM, lição nº 1 o que é bem bonitinho numa criança pode ser detestável num@ adult@, mas não se preocupe em mudar, pois tudo que nós somos é bem combinadinho e no fim dá tudo certo.
Hoje quero falar do que mais gosto em você: tua alegria! Você faz balé e sorri, se divertindo de verdade, durante toda a aula. Quando brincamos de qualquer coisa é do mesmo jeito. Você gargalha jogando a cabeça para cima, como que olhando o céu e é lá onde eu piso cada vez que vejo teu sorrisão-com-covinhas. Viro anjo, sou Maria abençoada, retorno ao Paraíso onde tudo era Paz. Tudo isso vira um sumo de gotas de orvalho mágico que fica acumulado no meu coração. É meu combustível para não desistir das inúmeras lutas que enfrento. Tua alegria, já que agora descobri o que é a alegria de uma criança, me faz lutar com todas as (parcas) forças de que disponho para que todas as crianças do mundo experimente isso.
Minha pequena, sinto tanto-tanto-tanto pelas dores que sofro quase que diariamente. Sei que com você não existe disfarce possível e apesar de sofrer em dobro quando você me chama para brincar e não consigo, depois de orar e pensar muitíssimo no assunto, creio que isso - de alguma forma - te fará uma pessoa muito boa, além das qualidades que você já tem. Respeitar a dor do outro não é coisa comum por estas épocas, minha 'princesa'* e espero em Deus que teu espírito solidário (que se mostrou assim antes até de você falar) seja mais refinado. Seja como for, sinto muito, não gostaria de viver nada disso na tua presença e nem nesta fase da tua vida, mas há o fluxo da vida, que não segue nossas intenções e é mais sábio que nós. Assim sento, apesar de ficar triste, aceito o que vem e o que é.
Amo você adoidadamente :-)
Tua mãe."
* Atualmente estou em crise com as princesas, mas ainda te chamo assim. Amo-te. De novo. Muito. E sempre.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

DOAÇÃO DE LIVROS - Como foi seu dia?


O bilhete que foi junto com cada livro
O da esquerda a Marina escolheu e o da direita eu comprei  - não consegui escolher dentre os dela :-(

Consideramos importantíssimo que as crianças tomem parte nesse tipo de movimento e por isso sempre convidamos e levamos tantas quanto podemos por isso precisamos comprar um Kombi.

A turma toda com seus livros
As meninas estavam ansiosas por tudo, para saber como era, se alguém iria pegar logo, pois decidimos deixar em vários pontos da rodoviária da cidade. Armava-se uma chuva e o plano inicial, que era deixar numa praça de periferia não pareceu uma ideia segura para os livros. Ah sim, além desses, doei um livro pessoalmente antes de irmos, para que elas compreendessem que havia outras modalidades de doação. Expliquei todas, mas a prática é sempre OUTRA COISA!

Bem nesse dia chegou a máquina fotográfica nova, que ainda não sei usar direito e com ela fiz os filmes abaixo. 
Até aqui Marina achava que iria TROCAR os livros, só depois entendeu como era o negócio

A topeira aqui achou que porque estava tudo claríssimo no visor ficaria igual quando baixasse Dâ! Mas fecha os olhos e ouve, finge que é rádio e relaxa, afinal a fala é o principal mesmo. Ao final do segundo as meninas não se contêm e cooooorrrrem para saber se os livros ainda estavam lá. 
É um minuto de filme, a imagem está ruim, mas vale a pena ser visto. Juro / \

Fiquei muito feliz com a fala de uma dessas garotas, pois ela teve grande dificuldade em desapagar quando participou das Feiras de livros e uma de roupas que organizei no ano passado. Sério mesmo, ela quase chorava enquanto a avó explicava da necessidade do desapego. No filme - e depois, quando conversamos - ela disse realmente ter adorado fazer a doação. Ou seja...10 passos a mais, pois se TROCAR era difícil achei que DOAR seria impossível e ouvi-la dizer que foi bom e ver seus olhinhos sinceros brilhando e repetindo o que falava foi o máximo para mim!

E por aí, como é que foi? Quero saber!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

E as aulas recomeçaram! EM NOVA ESCOLA


Quem quiser analisar meu perfil materno-mãe-de-estudante* vá ao marcador ESCOLA e fique à vontade.
Novidade 1: escola nova, escolhida porque não tem condicionador de ar na sala #simplesassim.
Novidade 2: no mesmo dia Marina iniciou o balé. Eu pretendia ir a ambos, mas o encerramento de uma atividade no trabalho me impediu :-( 

Carinha de tristeza nada a imagem mais próxima da realidade é esta
Enfim, achei que minimizaria minha angústia se ela mesma escolhesse a qual escola gostaria que eu fosse e - graças a Deus - optou pela escola, que é à tarde.

O espaço coletivo da escola
Conversei calma, tranquila e demoradamente com a coordenadora, que tirou-me todas as dúvidas, ouviu-me e dispôs-se a conversarmos sempre que eu quisesse e sentisse necessidade.
Logicamente não passa pela cabeça dela o que significa dizer isso a mim, mas de qualquer forma sinto que a energia ali foi muito boa e saí de lá tranquila.
Marina, como sempre, já foi chegando, sentando, interagindo. Só achei estranho que à noite, quando perguntei por seu dia só disse o nome da professora. E ponto. Tentei puxar assunto, mais respostas. Mas ela é assim mesmo "um ponto é um ponto" e não três. 
Sobre o balé falou o nome dos passos, demonstrou, disse que irá outro dia, que haverá festa de Carnaval e participará, tudo isso numa animação só.
Não estou pensando que tenha-se aborrecido, pois teria nos contato, pode estar sentindo saudades d@s coleguinhas antigos, a questão da ambientação mesmo. De toda forma, estou atenta.
Hoje Paulo teve um painel a fazer e não a levou. A secretária telefonou-me em nome da coordenadora para saber o que havia acontecido, ratificando que esta semana é muito importante e tals. Mais um ponto.

E aí está o cantinho que gosto mais: o parquinho de areia (só faz sombra após as 16h rsrs mas tudo bem). "Areia higienizada com cloro x vezes por mês" como disse a secretária a primeira vez que estivemos lá e falei, admirada "Tem areia!". 


Os brinquedos poderiam ser em madeira, mas é uma escola e não o Paraíso, Ok?


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Penelope Cruz, que nada! É a Marina

Quando ela viu a Penelope perguntou "Que estranho...assim...ela também caiu da rede?"


Enquanto as pessoas ficam por aí preocupadas com plásticas, simetria, perfeição, Marina foi lá na rede e POF! resolveu: bocão à lá Penelope Cruz!

Judiação, né? Na verdade, eu acho que não. Meu coração doeu ao ver o biquinho assim, dizer que doía pra “dá bezinho” (coisa que ela já não gosta muito), mas bem no raso do meu coração eu não entendo criança sem marcas. Sem mancha roxa nas canelas, cotovelo descascando, franja auto-cortada, pedacinho de pelo das unhas puxados. Nunca vi um machucado em Marina para dizer OHHHH QUE HORROR! Pergunto onde doi, como foi, se sofreu muito, se chorou, se está bem, depois digo como está uma graça com aquela marca.

Na minha cabeça é tipo um carimbo: EU POSSO! É sinal de liberdade, não de desobediência, descuido, peraltice.

Essa queda aí foi horrível, segundo Paulo ele a proibiu de entrar na rede ela foi “fazer outra coisa” aí deu nisso, até o narizinho de meu anjinho ficou inchado :-( O pior de tudo foi ela ficar chorando dizendo que não ia poder usar o brilhinho pra dormirrrr.

- Marina, calma. Você NUNCA usou brilho em casa, só quando a gente brinca e a gente nunca brinca à noite com ele.  Eu tentava, em vão, argumentar.

- Mas eu não vou poder usar o BRILHO, MÃE, VOCÊ NÃO TA ME ENTENDEEEEENDO BUÁÁÁÁÁÁ (Maiúsculos = Grito)

Dormiu. No diz seguinte estava tudo normal, nem hematoma, nem mancha, sequela nenhuma e vontade zero de usar o tal “brilhinho” roll on.

Dias depois é que entendi que a questão era se ela queria ou não, mas o fato de que não podia! A irritação era pela limitação, ou seja, pela não-liberdade
Muita filosofia para a cabecinha dela, então achei melhor não dizer que foi justamente sua imensa liberdade que a levou àquele beco...
ATENÇÃO: AS PARTES COLORIDAS FORAM PINTADAS SOB A DIREÇÃO DA MARINA (que digitou seu nome aqui) :-@

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Livro: "Culpa de mãe" Tou fora! #estou?



Ganhei o livro num sorteio, mas antes mesmo já havia baixado no site da autora, só não estava conseguindo ler no PC. Achava que esse negócio de culpa não me pertencia, porque nunca senti a maioria dos dramas que as mães normalmente relatam. 
No entanto, com a leitura do livro, comecei a lembrar de cenas no mínimo ridículas, como eu chorando durante o banho depois de saber que tinham colocado DVD de uma criatura que é totalmente antipedagógica na escola da minha filha de 3 anos...meu marido perguntou o que estava havendo e eu lá "Eu sou uma péssima mãe, que trabalho tanto e não consigo encontrar uma escola decente para minha única filha!" Aos prantos, uivos e soluços.
O livro pontua muito bem que a situação da personagem principal é um caso ímpar, já que consegue apoio da mãe, da terapeuta, de uma babá, da chefe, do marido, ou seja, ela consegue ir superando a culpa graças a essa rede que se forma em torno de sua cria. Fica claro que não é o caso da maioria e isso é muito bom para não deixar o livro antipático, do tipo "isso não existe!". Além de ser mesmo muito gostoso de ler.
Faço apenas uma ressalva, que é acerca da ausência de uma empregada na casa da personagem principal. Tudo bem ela cuidar sozinha da filha e ter a comida encomendada, mas a invisibilidade de quem cuida da casa (móveis, chão, poeira, enfim...) me chamou atenção para a invisibilidade do próprio trabalho doméstico. Para mim não é uma falha do livro, mas um ponto de reflexão para tod@s nós. Lá venho eu de novo falar de arrumar casa, né? Sim, é óbvio que isto não é um assunto resolvido na minha vida, mas do que falo aqui é algo maior. É da valorização do trabalho de quem fica em casa enquanto alguém está lá fora trabalhando, ou de quem trabalha dentro e fora. É da valorização do trabalho do Paulo ao cuidar da Marina, me deixando tranquila no trabalho e ajudando a menina a manter a casa na zona que eu encontro diariamente. Da valorização do trabalho das avós, mães, babás, faxineiras, empregadas, normalmente mulheres que cuidam dos ninhos para que outras mulheres possam voar e tenham para onde voltar.
Sobre minha culpa, ainda não sei se devo chamá-la apenas assim. Há também uma eterna-saudade. Uma vontade de estar junto de minha cria que talvez seja mesmo algo ancestral, animal, de mamífera. não, não digo que todas devam ser assim, mas que é como eu me sinto.
Depois de ler o livro decidi parar de trabalhar em tempo integral aos 50 anos e me dedicar a Marina. Uma amiga me disse "Tá, você sabe que ela será adolescente e não vai querer você por perto, né?" KKKKK Sei, sim, mas daí eu terei escrito Culpa de filha através deste blog e ela vai morrer de pena de me enxotar. Assim espero :-)
(A propósito, não faço a mínima ideia de como irei nos sustentar $ mas estou confiando no famoso "Deus proverá").

VANESSA, OBRIGADÃO E PARABÉNS PELO LIVRO!

domingo, 19 de agosto de 2012

Ativista de amamentação - isso existe? BLOGAGEM COLETIVA

Blogagem coletiva sobre Amamentação para o Blog do Desabafo de Mãe

Moro no Nordeste, sempre morei aqui, entre Maceió (AL) e Recife (PE). Viajei para algumas cidades de outras regiões a trabalho e trabalhei em Caruaru (agreste de PE) durante algum tempo.Tenho uma filha de 3 anos e 10 meses que mamou até os 4 meses, quando paramos porque retornei ao trabalho.
Engravidei aos 36 anos, quando pensava que não mais seria mãe, então alguns temas ligados à maternidade são simplesmente novidade para mim e comecei a lidar com eles quando fiz este blog. É como se as coisas simplesmente não acontecessem.
Esse lance da amamentação, por exemplo. Eu sempre soube que amamentaria se tivesse filhos. Útero está para o bebê assim como os seios para a amamentação. 2 + 2 = 4.
Marina passou quase 15 dias para "pegar" meu peito, que tinha bico, que não rachou, que foi super-preparado durante a gestação, mas simplesmente não dava certo até que meu marido, olhando de frente para minha posição foi lá e deu o toquezinho que precisava. Era uma questão de ângulo. Nesse período estava na casa da minha mãe e saía para a Maternidade Santa Mônica, que é pública e péssima, mas tem uma equipe sensacional trabalhando no banco de leite. Eu ia até lá, ordenhava, doía horrores, eu era praticamente uma vaca holandesa, quando saía deixava meio litro de leite e levava uns potinhos para minha pequena tomar na seringa. A equipe amava me ver chegar! Antes de chegar em casa os seios já estavam cheios, pedrando, quentes e eu, febril. Num desses dias, meu marido, penalizado com meu sofrimento, aconselhou que eu tomasse uma injeção que fazia o leite secar e pronto. NUNCA! Estava tudo certo, eu tinha leite, ela tinha fome, meu peito tinha bico e ela tinha um bocão, faltava "alguma coisa" que ele mesmo resolveu depois.
Quando comecei a ver a história do "mamaço" achei muito estranho. Depois descobri que em alguns lugares as pessoas se escandalizam com a mulher amamentando em público. É aí que retomo a minha origem. Talvez por ser do Nordeste e ter crescido vendo mulheres oferecendo a mama nos ônibus, nas praças, nas feiras e filas, achasse isso tão comum. Confesso que agora não é mais tão comum como foi antigamente, mas não ouço ninguém dizendo que não vê a hora de parir e estrear a mamadeira. Os hospitais públicos e privados apoiam a amamentação, orientam, só não dizem que é difícil, NÃO dizem que NÃO É UM CONTO DE FADAS, NÃO dizem que algumas mulheres realmente não conseguem e não deixarão de ser mãe por isso.
Digo a todo mundo que o que criou o vínculo entre mim e Marina foi a amamentação. Eram momentos únicos, eu fazia questão de seguir o ritual quase sagrado, sempre na cadeira de amamentação, em silêncio, olhando-nos nos olhos, fazendo carinho nela, conversando, cantando. O mundo parava. Foi assim em TODAS as mamadas. Lembro de ter dado o peito fora de casa duas vezes apenas, em consultas dela, mas numa vez fiz dentro do carro, debaixo duma árvore com passarinhos cantando rs e na outra pedi uma sala vazia, pois a recepção do consultório estava lotada de pessoas doentes. Eu sabia que teríamos pouco tempo de amamentação e foi fundamental para estabelecermos nosso vínculo primeiro.
Hoje, ela adora quando falo sobre isso. Coloco-a no colo e repito tudinho, ela é uma verdadeira atriz, faz tudo que eu relato, até "adormece" depois do almoço. 
Hoje pegou uma boneca e subiu na minha cama pedindo para eu amamentá-la...depois me olhou e disse "Mãe, se a mãe dela sou eu, eu vou dar o peito, né?" "É, sim!" "Os dois, né?" (Isso eu não tinha dito srrsrs) "É, filha, os dois". Quando meu marido entrou estávamos na cama, eu lendo e ela amamentando a boneca. 
E acho que a cena merecia um quadro!

domingo, 12 de agosto de 2012

Diversão de mãe

Fran, Anderson e eu no FIG 2012


Parece que quando a gente “vira” mãe tudo na muda completamente – quando não radicalmente. Passei 4 anos administrando essas mudanças, desde que soube estar grávida, e agora posso dizer que estou num processo de reencontro comigo mesma. Sou outra, é claro, mas a mudança que se deu nesses 4 anos certamente eu teria vivido em 40 se não fosse o advento Marina na minha vida. Se tivesse vivido, é claro.
Neste post falei da vontade de ir ao Festival de Inverno de Garanhuns assistir aos shows de Marcelo Jeneci, Lenine e Milton Nascimento e da grande angústia à La “culpa de mãe” que estava me afligindo.
Marcelo Jeneci
Super LENIIINEEEEE

Como se precisasse apresentação, mas td bem: MILTON NASCIMENTO!
Pois fui, vi e vivi. E foi bom demais! Minha intenção maior era ver Lenine, mas a apresentação de Milton me fez sentir muito feliz por estar viva e é exatamente isso o que a arte faz por mim, principalmente a música.
Outra vantagem foi estar no alto dos meus 40 anos e conseguir trabalhar a sexta todinha, ficar zanzando pela FIG entre 20 e 22h e a partir daí pipocar a poucos metros do palco até as 3:40h, quando terminou tudo e retornamos para o ônibus. Sim, retornamos, pois estávamos em 3, eu e meus protetores Anderson e Fran, que são namorados, foram um casal lindo e ficavam o tempo todo me pageando. Tive que explicar (em LIBRAS também): “Mim 40, vocês 18, ok?” é o cuidado de quem gosta e por isso é uma delícia. Cheguei em casa às 6:30h tomei banho, café da manhã e Paulo me levou para a aula. Isso mesmo: fiquei das 8:30 às 16h na universidade vivinha da Silva. É ca-la-ro que eu jurava que isso seria impossível, porque é ca-la-ro que eu nunca mais havia feito e é ca-la-ro que eu tinha esquecido como a música me vivifica. Enfim, maravilhosas surpresas num evento, por mil motivos, imperdível!
Único lugar quente da cidade :-)
Macaxeira com carne de sol. Ela tbm comeu!
Fran com frio porque não estava pipocando, é claro :-)

Assim sendo, o título DIVERSÃO DE MÃE é mais uma reflexão, um chamamento à tiração de rótulos do que à confirmação dele. Diversão de mãe, de pai, é diversão de gente, da pessoa que era antes e pode ter mudado e agora gostar de outras coisas, que podem ou não ser outras + as mesmas de antes. A experiência foi libertadora para mim, que tive de volta momentos que amo e voltei sem culpa, sem angústia alguma. Lá, então, ouvindo os ÓTIMOS músicos que se apresentaram, é que a culpa se esvaiu como fumaça que era.



sábado, 5 de maio de 2012

Para abrir a "Semana das Mães"


Terminei de ler, por esses dias, o livro Mães em Guerra, de Jill Kargman. A autora, uma cronista americana, apresenta uma situação que para mim é tipicamente novaiorquina, mesmo assim vi muitas semelhanças com o que acontece na blogosfera materna. Li em alguns sites diversas descrições sobre esse livro e como não concordei com nenhuma, deixo que pesquisem, mas acho que melhor mesmo é lê-lo (não esperem nada perto de Clarice Lispector, ok?).
Quanto às semelhanças, ficam por conta da perseguição que algumas mães fazem em relação a outras que simplesmente tem uma forma “diferente” de criar seus filhos. Por que diferente entre aspas? Diferente tipo parir na beira do rio? Ou saltar de asa delta com um bebê de 2 meses? Não, “diferente dela própria”, da mãe ou do grupo que emite a opinião. Toda mãe (normal) quer o melhor para o seu filho. Se ela acha que dar chupeta a um bebê de 2 meses é normal e eu discordo então o máximo que posso fazer, respeitosamente, é emitir minha opinião, explicando porque minha opinião/opção/decisão é diferente da dela. Entretanto, o que vejo são paredões enooormes erguidos contra grupos de mãe POR outros grupos de mães.
Lembro então do Senado brasileiro (fui longe, neh?). Lá encontramos bancadas de todo tipo: dos ruralistas, dos evangélicos, dos católicos, dos privatistas...alguém já ouviu falar de bancada feminina? Nas bancadas existentes há mulheres e homens de partidos rivais, mas que se unem em prol de um ideal, uma causa, uma região do país. O fato de haver poucas senadoras (isso também ocorre nas demais esferas, viu?) não justifica, já que as bancadas não são determinadas por gênero, mas por “causas” e mesmo que seja uma bancada de poucas mulheres isso será apenas um detalhe – o importante é estar lá, em peso!
O que vejo reproduzido na blogosfera materna, de forma aberta e escancarada, é o que está no livro da americana e seu universo (sócio-econômico-cultural) tão diferente do meu e no Senado, na Câmara, na Assembleia da minha cidade, o que vejo em todos esses “ambientes” é a dificuldade de unir as mulheres em torno de uma causa. Mesmo havendo discordâncias (quer discordância maior do que PSDB e PT numa mesma bancada?), mesmo relevando-as ou discutindo-as noutro momento, não será possível colocar o tema em questão como elo.
Será que a maternidade não consegue ser um elo na blogosfera materna? Preciso ainda ser contra outro grupo de mulheres porque ele discorda de mim sobre o tipo de alimento que dou à minha cria? Não posso apoiar esse grupo na causa “Contra bisfenol nas mamadeiras” simplesmente porque sou radicalmente contra o uso de mamadeira*? Quer dizer que as outras mães devem deixar de dar mamadeira a seus filhos e se não pararem, danem-se seus bebês, engulam bisfenol, afinal “eu avisei!”? Será que não poso ver as discordâncias como uma imensa oportunidade de ser mais tolerante e melhor ouvinte? Será que essas capacidades não farão de mim uma mãe melhor para a minha filha?
Quanto ao livro, não me identifiquei com nenhuma mãe ali “estereotipada” e vi de modo cru como podemos ser crueis. Para mim, ficou o gosto de Precisamos falar sobre o Kevin, embora a idéia do livro seja de leveza e humor.

*A propósito, minha filha mamou até 4 meses e meio, parou quando voltei a trabalhar e seguiu com mamadeira até uns 7 meses. À época eu nem sabia que existia bisfenol e só comprei mamadeira sem ele porque quando li “Sem bisfenol” no rótulo achei que era melhor, só não sabia por quê.

domingo, 29 de abril de 2012

Uma oração por ser feliz


Lemos à noite ou invento histórias. Finjo que sou algum objeto da casa e falo com voz de dubladora, ela trata de me seguir na brincadeira.

Às vzs pintamos caixas, capas de caderno, tecidos.
Com as gêmeas, na casa da avó

Fazemos massinha de modelar com outras crianças

Ou  montamos coisas com o pai

Cozinhamos

Tiramos fantasias do baú
Clarice e Marina

Fazemos carimbos com EVA e tampa de amaciante (que carimbaram ao contrário, mas para ela tinha que ser assim, neh?)

Às vzs nos vestimos para uma causa

Às vzs ela me fotografa
(Eu não estava chorando nem com papeira, tinha acabado de acordar, não se preocupem!)


Noutras sou eu quem não resiste ao seu olhar...
...ou ao seu sorriso

Às vezes a pego num flagra...

... ou noutro

Às vezes pegamos a estrada, coisa que adoramos!

 Mas na maioria das vezes, 
eu simplesmente 
agradeço a Deus 
por ela existir e estar comigo