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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Pensando de trás para a frente

Eu só estava sendo enfática. E ele é mesmo leonino

Outro dia me peguei explicando a um companheiro de projeto minha resistência em reutilizar objetos de plástico. Pensando na dificuldade em me fazer entender, resolvi escrever o que penso a esse respeito (vai que sou mais competente aqui...).

Como diria Renato Russo "Há muito tempo atrás (sic), numa galáxia muito, muito distante" entrei em contato com Educação Ambiental numa pós-graduação que cursava. Foi quando conheci o Instituto Akatu, melhor referência sobre meio ambiente à época e recentemente aprendi a calcular minha Pegada Ecológica. Nem de longe posso ser chamada de ambientalista, mas procuro conhecer as consequências das minhas atitudes e busco não piorar o que já está ruim no mundo.

Imagem daqui

Com relação ao consumo modifiquei alguns hábitos após ler em algum lugar que estamos habituados a pensar em nossa necessidade, depois no uso da coisa, em sequência no descarte do que foi adquirido. O pensamento ideal seria de trás para a frente, ou seja, a partir do descarte. Ao invés de pensar: "Eu preciso disso" devemos pensar "Como isso será descartado?". E ao invés de determinar que precisa de algo começar a refletir se precisa de tal coisa. Essa questão do consumo é bastante interessante sob vários aspectos e quando a mudei a forma de pensar encontrei várias des-necessidades em minha vida e em lugares que frequento. Quando comprei o apartamento onde moro os armários eram embutidos e o roupeiro do quarto de minha filha é imenso! Percebi que o meu ficava juntando tralha e então arranquei-o da parede. Quando meu então marido chegou e viu a bagunça perguntou logo onde iríamos guardar o que estava ali. As roupas já estavam no outro e desse, pasmamos, tudo foi descartado. Percebi, naquele momento, que quanto mais armários, prateleiras, mesinhas, racks, mais espaço tenho para encontrar alguma coisa que eu preciso colocar ali. O novo pensamento consumidor seria:
1. Como isso será descartado? Pode ser reciclado? Sei onde e como descartá-lo? É biodegradável? Tenho a opção de substituir por algo que não prejudique o meio ambiente, se for o caso?
2. Tenho onde usá-lo/guardá-lo ou precisarei comprar outro objeto para tal?
3. Preciso disso?
Garantia 1: muuuuuita economia, para começo de conversa.


É inegável que a invenção do plástico trouxe vários benefícios à sociedade. O exemplo mais próximo de seu uso para a maioria das pessoas tem a ver com os produtos de higiene, limpeza, depósitos para guardar alimentos - que mesmo sabendo fazerem mal à saúde ainda são utilizados. Também é de amplo conhecimento que esse material dura em torno de 500 anos para se decompor e tem trazido problema gigantescos à Natureza e ao meio ambiente Natureza e meio ambiente não são a mesma coisa. A questão é simples: as indústrias ou cientistas deveriam pesquisar outros materialis que tragam os benefícios do plástico e sejam biodegradáveis. Vou poupar vocês das razões $$$$ para que pesquisas nesse sentido não ocorram, ok?

Árvore garrafa PET e enfeites em PET e latas
Aproveitando a proximidade do Natal vou usar um exemplo de árvore que já decorou minha cidade. Meu coração chegava a doer quando via aquela belezura sendo fotografa e servindo de monumento. E foi neste ponto em que eu e o colega discordamos. Na concepção dele, se o produto já existe e vai passar 500 anos por aí, então que pelo menos sirva para algo. É o pensamento vigente, é claro, é a partir dele que se baseiam os 5 Ss: Repensar + Reduzir + Reutilizar + Reciclar + Recusar.


O que eu penso é que o plástico não deveria existir. Também penso que quando dou uma outra utilidade a um material que não deveria existir apresento a falsa conclusão de que ele “pode ser bom para”. Só que: qual será o destino da árvore de Natal após ser desmontada? Em quanto tempo a vida desse objeto no planeta diminuiu por eu ter feito sua reutilização? Quantas garrafas de refrigerante deixaram de ser produzidas, compradas e descartadas? Então, se não quero mais que esse material exista também não quero dar a falsa impressão de que pode vir algo bom dele, pois esse “algo bom” da reutilização não elimina a realidade de que o plástico está envenenando nossos alimentos, solo, águas e atmosfera. Da fabricação ao descarte ele é nocivo. Assim, assumo a postura de não participar nesse diminuto circo de horrores (se comparado a fatos maiores), não transformar garrafa PET em carrinho, tubo de sabão líquido em floreira, jogo-americano com tampa de garrafas plásticas. Evito comprar plástico e não estimulo reutilização.


Volto à pergunta do rapaz
- Qual o problema de usar se o material já existe?
- Existe, mas não sou eu quem vai fingir que ele pode ser bom. Porque o que deve acontecer é ser substituído por outras opções.


Ações de grupos e movimentos organizados têm feito pressão em relação ao uso indiscriminado dos vários tipos de plástico e vê-se o efeito nas prateleiras de supermercados, que apresentam cada vez mais sachês de produtos alimentícios e de limpeza/higiene - também são embalagens plásticas, mas dizem que se decompõe mais rápido...não sei se é verdade ou uma troca de seis por meia dúzia. Ações individuais, como preferir comprar produtos embalados em madeira ou papel, usar eco bag já no carrinho de supermercado e colocar hortifrúti ali e dispensar as sacolinhas, comprar sabão/sabonete em barra e evitar a embalagem plástica, escolher bolsas em tecido às de nylon, usar bucha vegetal ao invés de esponja, garrafas de vidro para suco e água, etc. São exemplos de ações que não requer a participação efetiva em algum movimento, mas ao mesmo tempo insere a pessoa num grupo imenso que precisa crescer urgentemente. Precisa crescer, muito mais do que precisa de inutilidades para o mundo.

Imagem daqui

domingo, 28 de junho de 2015

Aula grátis de não consumismo

Vídeo gravado no Dia das Mães, com a fofinha ainda revoltada


No sábado anterior ao Dia das Mães minha pequena perguntou se íamos comprar o presente de minha mãe. Ao invés de simplesmente dizer que NÃO e explicar a razão (aquele papo de data comercial que todo mundo já sabe, inclusive ela) levei-a até a sala de dança, que é onde fica nossa TV, cuja função é apresentar DVDs e liguei num canal aberto. Obviamente, se não assisto TV, não tenho assinatura de canais fechados.
- Vamos ver TV um pouquinho e olhar as propagandas, tá?
Passou de lavadora de roupa, de automóveis, de roupas, de perfume, de frango...
- Mãe, kkkkkkk já pensou a gente chegar com uma galinha pra dar de presente pra minha vó? Peraí, mas quem compra isso pra presente?
"Mim" calada...
- Mãe, eles querem que a pessoa compre tudo! Assim também é demais, tem coisa que a minha avó nem precisa, meu Deus!
"Mim" calada...
Aí deu-se o caso. 
Uma loja de departamentos resolveu fazer uma propaganda cujo slogan dizia que "O melhor abraço é o da Moda" ou algo assim...PRA QUÊ!?

Marina levantou-se num salto, com a voz ainda mais alta do que já é e disse exatamente o que está aí no vídeo. O que não está aí é o que ela disse depois:

- Mãe, se lembre: a gente nunca mais compra na Riachuelo! Ela não dá valor à mãe! Humpf!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quando um esmalte não é apenas um esmalte

Esmalte licenciado - Mauricio de Sousa
Tentarei explicar, com este exemplo, porque não compro produtos com imagens de personagens de desenhos animados, de histórias em quadrinhos, ou licenciados de qualquer forma.

1º. Quem lê gibi A Turma da Mônica? Crianças, adolescentes, adultos...?
2º. Quem é o público-alvo dos produtos com os personagens da Turma da Mônica? Crianças, adolescentes, adultos...?
3º. Quando minha filha de 6 anos, se lesse gibis da Mônica, visse o esmalte da foto acima:
a) ela gostaria de tê-lo, por ter ligação afetiva com as personagens;
b) ela entenderia que esmaltes não devem ser usados por crianças;
c) o esmalte não chamaria a atenção dela.

Aí os defensores do Mauricio de Sousa e seus produtos licenciados usam o exemplo das frutas. "As crianças irão querer comer a maçã da Mônica e isto é saudável". E também vão querer comer o Macarrão tipo Miojo, usar esmalte com 6 anos de idade, sandálias de salto, maquiagem, etc etc etc. Não!? Por que não?

Procuro evitar que o AFETO e a IDENTIFICAÇÃO que minha filha sente por determinados personagens dos quais ela gosta sejam manipulados a ponto de ela ser LEVADA A QUERER qualquer coisa que esteja com a IMAGEM daquele personagem.

Elsa e Ana, as irmãs do filme Frozen

Nós amamos o filme Frozen. Marina é a Elsa e sou a Ana. Quantas vezes ouvi zilhões de pedidos para comprar algo de todos os personagens do filme, visto que somos fãs de todos eles? Até que um belo dia passávamos em frente a uma vitrine e havia uma camiseta linda com a figura da Elsa. Fomos fisgadas pela imagem e minha pequena, como que hipnotizada, foi se encaminhando para lá, colocou as duas mãos no vidro e falou, para si mesma:
- MEU-DE-US! Nós não compramos produtos licenciados e isso É-LIN-DUUU!
Virou-se para mim:
- MÃE!
- Vamos entrar e ver de perto, parece linda... (putz, eu estava morrendo de vontade rir com a frases "Não compramos produtos licenciados")

A camiseta era de boa qualidade, podíamos comprar e era (é) linda mesmo, então expliquei porque estávamos comprando. Inclusive a comparamos com outros produtos e optamos por este mesmo. Já comprei duas roupas com imagens de desenho animado porque não assistimos TV então não sabia do que se tratava.
Assim sendo, abro exceções. Em casos específicos e muito raramente.

Mesmo sem vermos TV em casa ela tem contato com outras crianças, que mostram seus brinquedos "da moda", vê TV na casa de parentes, o apelo está em praticamente cada gôndola de supermercado, loja, escola, ônibus, enfim...conte quantas crianças passam por você com uma roupa estampando UMA Princesa da Disney em uma hora de caminhada pelo comércio de sua cidade ou em algum shopping ou mesmo num free day na escola de sua cria!

Este é o meu motivo. Não estou dizendo que seja o melhor caminho para todas as pessoas e que isso vá ser a salvação para que minha filha não caia numa rede de consumismo. É a MINHA ESCOLHA. 

ESCOLHA.

Daí quando alguém diz que não quer que o Governo tire a publicidade infantil da TV porque não quer que O GOVERNO ESCOLHA ela não percebe que quem está definindo a escolha de suas crias é a indústria-do-consumismo-infantil.
A propaganda não deixará de ser veiculada, mas deve ser veiculada para quem tem discernimento para escolher, para quem o dinheiro para comprar e decidir, ou seja, os adultos. Não vou entrar na discussão para lá de rasa sobre o que os pais - ops, as mãe, sempre as mães, tinha esquecido - permitem que seus filh@s vejam e queiram. Até entro nessa se alguém me disser que não é nada demais  o fato de o Brasil ser o SEGUNDO PAÍS NO MUNDO EM QUE AS CRIANÇAS PASSAM MAIS TEMPO DIANTE DA TV POR DIA.

Já me estendi demais e até saí do foco, mas vou deixar a meada para fazer outra laçada mais tarde, noutra postagem e também para vocês deixarem suas opiniões aqui nos Comentários.

sábado, 14 de junho de 2014

Como assim, sem TV? Sem shopping? Sem tablet?

Reuni algumas fotos da suposta bagunça de minha filhota durante alguns meses e resolvi apresentá-las. São fragmentos de construções, de brincadeiras que duraram segundos, às vezes alguns minutos, às vezes horas...de arrumação do caos em que ficou a casa.
De onde vem tamanha cara de orgulho? Duma balinha que ganhou e fez questão de abrir. Se eu estava com pressa nesse dia? Melhor não. Se estivesse, perderia essa delícia de passo-a-passo, esse olhar concentrado e sorriso de vitória por ter conseguido, sozinha, vencer aquele obstáculo!

Quantas e quantas vezes as crianças ouvem para não brincarem com a comida? Quantas vezes "curtimos" aqueles pratos bem decorados para as crianças comerem a salada? Mas e se ela mesma decorar ou se fizermos juntos, e se brincarMOS com a comida? E o mais incrível: e se nos descobrirmos gostando disso!?

Quem liga para a bagunça depois de ver o urso na rede? Mas...esperar para ver. e se não der certo, arrumar tudo juntos.


Quanto custou a "Amiguinha" que minha chefe deu (porque quis) à minha filha? Quantas vezes é assim que pensamos e então colocamos o tal brinquedo caro lá no alto...


Para que isto não aconteça (coloquei filme plástico para proteger os cabelos, que depois pintamos também)
Daí que depois é só limpar e se não ficar totalmente limpo...sinceramente...e daí?! De "Amiguinhas" se aceita tudo, até mesmo ser trocada por uma boneca sem perna na Feira de Brinquedos.

De verdade, de verdade, quem precisa de televisão para educar? Que programa educa mais do que uma brincadeira livre? O que pode ser mais gostoso do que se divertir com quem amamos? Jura que Ruffles é melhor do que isto!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uma bolsa é uma bolsa é uma bolsa?

Bolsa da Marina, By Futuro do Presente
Quando minhas sobrinhas eram mais novas, hoje tem 11 anos, eu via aquele desfile de bolsas escolares, delas e das coleguinhas. Sem metáfora: era um soco no meu estômago! Antes do meio do ano já estavam horrendas...aliás, para mim já eram horríveis de bregas desde a prateleira da loja. Como não tínhamos condições de comprar outras, iam até onde desse.
Quando Marina foi estudar senti calafrios. Primeiro, achava cedo demais, depois: a bolsa. É sério, eu imaginava montanhas de lixo inútil anual somente com bolsas e lancheiras. Andei em TODAS as lojas de material escolar e de bolsas. Senti vontade de chorar várias vezes, até que decidi fazer sua primeira mochila - sem saber costurar, é claro.
No ano passado encontrei o Futuro do Presente \o/ e caí de joelhos agradecendo aos céus por ter sido benevolente comigo!
A bolsa é reciclada de garrafa pet, acessem ao site e vejam quanta coisa legal tem lá. Ah sim, lancheira?

A bolsa vem com várias divisórias. De um lado, o estojinho com escova/creme dental/toalha e do outro o que quisermos. Marina gosta de tomar água, então leva um lanche frugal, seu copo, jogo americano que Mamis fez e o material de estudo.
Fiz questão de falar sobre abolsa, que é de ótima qualidade, não soltou um fio, não desbotou (a máquina fotográfica foi trocada e talvez por isso a cor pareça tão diferente.), nada rasgou ou deformou.
Não pensei que nada disso fosse ocorrer porque confio na proprietária do negócio, Ana Cláudia Bessa, mas falo para quem acha que produtos reciclados são de segunda linha e servem para aliviar nossa culpa consumista de comprar/descartar enlouquecidamente.
Cláudia, nossas crias: o futuro do presente. E você: um presente no presente!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Tua Presença de Presente

Meus amores: Paulo, Marina e Adélia Prado
Minha primeira viagem de avião foi para Brasília, com parada em São Paulo. Foi a serviço, em 2001. Eu prestava tanta atenção à comissária de bordo fazendo aquele parangolé para o qual nenhum “viajante experiente” olha mais, que deve ter chamado atenção do meu vizinho. Um senhor introspectivo que olhava catálogos sobre tecidos (mania de leitor: butucar o que outro leitor está vendo).
Alguém nos ofereceu bala ou chiclete, eu não quis e ele sugeriu que eu pegasse porque seria bom para os ouvidos, quando chegássemos a uma altitude maior. Peguei.
Em dado momento, a comissária passou nos oferecendo uma barrinha de chocolate e um pacote de amendoim e meu vizinho pediu mais um lote. Olhou-me um pouco sem graça e eu sorri de volta, imaginei que fosse para seus filhos, daí ele foi falando, enquanto guardava seus pertences, o que me fez entender que desembarcaria em São Paulo. “...para meus filhos. Trabalho viajando e eu sempre comprava alguma coisa para eles nas viagens. Não fazia por obrigação, eu sentia falta deles, via algo que sentia vontade de levar e era só. Até que um dia fiz uma viagem tão rápida que não deu tempo de comprar nada e na verdade nem pensei nisso. Quando entrei em casa – e nesse ponto da conversa seu rosto mostrou-se carrancudo. Em momento nenhum da viagem ele se mostrou simpático, mas aqui realmente estava aborrecido – eles vieram correndo para mim perguntando pelos presentes. Aí pensei: não, isso tá errado, o pai fica fora de casa e eles esperam que eu volte pra ganhar presentes, que é isso!? Conversei com minha esposa, que achava que eles tinham razão por estarem habituados e admiti meu erro por ter criado esse hábito. Nunca mais comprei nada para eles nas minhas viagens a serviço, então às vezes levo essas coisas que dão no avião ou nada. Ora, eles tem que ficar felizes com a chegada do pai, não do entregador de presentes! Fico aqui. Boa viagem, senhorita, obrigada pela conversa.” Ele havia dito seu nome, que minha péssima memória não gravou, mas uma semana depois o vi numa revista de moda, era um famoso estilista brasileiro com carreira internacional e realmente viajava muito.

Pensei durante dias na postagem de hoje e acordei com a lembrança desse encontro. Em 2001 sequer sabíamos a diferença entre consumo e consumismo. Eu havia estudado o assunto para um seminário de marketing, quando paguei uma cadeira de Psicologia (yes!) no curso de Ciências Contábeis, mas a discussão estava bem longe do que se passa agora, era só questão de pesquisar, nomear e aceitar as coisas com elas são. São?

Natal, 12 anos depois, muita água debaixo da ponte e um mundo que começa a decorar vitrines aproveitando o feriado do Dia de Finados. Natal sem consumismo é o tema da campanha da Aliança pela Infância. Como atualmente o assunto é vastamente discutido na blogosfera e em grupos de facebook mundo afora, não me faltaria conteúdo para trazer e refletir aqui, mas quero trazer um que vem de mim. De dentro. Da sola dos pés enterrada na terra.

PRESENTE
Daqui

PRESENTE

PRESENÇA


Há meses tenho buscado estar PRESENTE. Em minha cama, no ônibus, diante do computador, durante as aulas de dança, enquanto leio um livro, oro ou medito ou durante minhas auto-aplicações de Reiki. Difícil? Muito! Encontrei (ou encontrou-me?) um livro que fala exatamente sobre isso.

Trazendo a presença para o Natal, que durante tanto tempo tem sido aliado a um tempo de presentear, presentear com objetos às vezes tão inúteis, presentear mesmo endividando-se apenas para não “fazer feio” socialmente, presentear sem necessidade de estar PRESENTE.

Durante este mês, trarei este assunto a blog e quero muito saber como é essa questão dos Presentes de Natal para você.

domingo, 13 de outubro de 2013

Brinquedos para doar - isso é bom ou ruim?

Ow, jura que minha casa está assim! (Daqui)
Na sexta-feira Paulo e eu fizemos mais duas feiras de troca de brinquedos. Desta vez na escola em que Marina estuda. Havia mais brinquedos para doação do que para troca e não é porque os doados estivessem em mal estado, não. O que me leva a crer que era excesso mesmo.
Sabe quando a realidade é muito dura e você quer fugir dela? Sou eu e a cara da minha casa com 172 brinquedos aguardando que o carro do CREN-AL venha buscá-los na segunda-feira. Nem coragem de fazer uma foto da verdade nua e crua eu tenho, por isso achei essa foto bem asseada acima. Linda, né?

Conheço pessoas que fazem caridade e isso lhes faz bem. Eu não faço parte dessa cepa, não adianta.

Eu olho para esse amontoado de plástico e me entristeço por saber que a maioria vai passar 500 anos sobre a face da Terra. Me entristeço porque há crianças que se não receberem brinquedos doados (sejam novos ou velhos) não vão criar brinquedos com tecido, caixas de fósforo ou de sapato (com eu fazia), não vão criar uma fazenda com boi de chuchu e nem boneca de espiga de milho (como minha mãe fazia) e menos ainda nadar no rio de noite, aprender a subir em árvore aos cinco anos e a tocar cavaquinho aos nove (minha avó). 
As crianças esperam brinquedos porque acreditam de verdade que, sem eles, não podem brincar. Os pais ou responsáveis acreditam, de verdade, na mesma coisa além de ser bem mais simples entregar um tablet do que um livro que a criança não vai ler sozinha, neh?.
Recolho os brinquedos que sobram das feiras, junto com os que recebo para doação e, sem hipocrisia, não fico feliz em doá-los. Quero que a cada ano a quantidade diminua: de crianças querendo, de crianças doando. Quero doar bonecas de pano ou de madeira, carrinhos de lata, fantoches de meia, retalhos de tecido com manual escrito a mão sobre como fazer um mamulengo. Quero fazer feiras de trocas até que ninguém mais queira trocar brinquedos, apenas doar, porque quando quiser um novo haverá uma brinquedoteca (de verdade) ou biblioteca próxima onde poderá pegar, brincar/ler, devolver e fazer seguir o ciclo da vida.
É por isso que estou na Aliança pela Infância :-)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Separando os brinquedos para Trocar - O apego é meu ou dela?

O dia da seleção
Desde o ano passado fazemos feiras de trocas de brinquedos e livros infantis, com apoio da Aliança pela Infância, Instituto Alana e Infância Livre de Consumismo.
Duas estão programadas para este mês aqui em Maceió. A foto acima NÃO tem os jogos de montar, quebra-cabeças e os "introcáveis" e "indoáveis" tamanho nível de degradação dos pobres. Se eu fosse você e acompanhasse este blog há algum tempo saberia que não temos ajudante (babá, empregada, faxineira) e que meu marido é tão ou mais bagunçado que a Marina (4 anos). Estaria então me perguntando como essa pobre mãe faz para arrumar isso toda noite, após 12 horas de ausência do lar. Ora! A mamãe aqui é inteligente e mantém um sério acordo com a pequena: ela só pode brincar com 3 e os demais vão para o lugar mais alto do roupeiro. Quando sente vontade de brincar com outro, pede para trocar e pronto, continuam os três.
Mesmo assim.considero que ela tem muitos brinquedos e se não tivesse tão boa memória muitos deles já teriam sido lindamente doados.
Pois então, vamos à seleção! Pedi que escolhesse os três brinquedos que seriam trocados e aproveitasse para separar os que seriam doados. Iniciou por estes. Terminada a seleção, quando voltei ao quarto ou três brinquedos selecionados ERAM MEUS! 
Daqui
Meus bichinhos de pelúcia que eu guardo há mais de 20 anos! Fomos às negociações e disse a ela que havia me enganado, pois misturei os meus com os dela, então escolhesse outros. Voltei. Lá estava, dentre os dela, um pato de pelúcia que comprei quando estava grávida...mais dores no coração:
- Mas, Marina, esse patinho eu comprei quando você nem tinha nascido...snif, snif
Pausa de 1 segundo e cara de Chucky e a resposta:
- Tá. Eu já nasci. Pronto.
GRRRRR quem inventou a liberdade nesta casa!? Buááááááá
Daqui
Pedi explicação para cada item que não fora escolhido para doação nem para troca e foi quando percebi que ela sabia exatamente quem a havia presenteado, e que a seleção havia sido puramente emotiva. Ela não estava ligada à utilidade do brinquedo, mas às lembranças da pessoa ligada a ele. Tinha um, aquela girafinha pequena, muito lindinha, mas que por mim seria a primeira da lista. Nós a ganhamos num sorteio, então seguindo a lógica dela - EU, A ESPERTA-CARTESIANA-ADULTA-MÃE - peguei o bichinho e perguntei:
- E esse aqui? Quem deu?
Cara de Marina diante da minha pergunta
(Maria Joaquina da novela Carrossel)
- (suspiro, daqueles que fazem o tronco subir e cair pesadamente) Mãe, essa é filha daquela! Você acha que vou separar as duas, mãe?
- Ah, ta, tinha esquecido vergonha total
Para mim, todo momento é chance para conhecer melhor minha filha, saber de seus sentimentos, além das reações que demonstra e o que a move para tal e tal escolha. Sinceramente, acho esta a melhor parte da Feira de Trocas
P.S.: O patinho voltou, por escolha dela. Seguindo seu exempl, me desfiz de dois brinquedos meus

sábado, 22 de junho de 2013

Dia das mães na escola (ué, e o São João!?)


Ê animação: notícia daqui

Fiz duas postagens, há pouco, sobre o dia das mães e ambas faziam parte da blogagem coletiva do MILC – Movimento pelaInfância Livre de Consumismo.
Num dos comentários a blogueira Rafa perguntou se eu não gostava. Na verdade não gosto de nenhuma data comercial e é o que o Dia das Mães é. E esse “não gostar” é muito anterior à minha reflexão sobre consumo e consumismo. Afeto não pode e não deve ser imposto. Eu adoro presentear e não preciso de data para isso, nem considero apenas coisas-compradas como presentes, para mim a demonstração de afeto em si já é um grande presente. Sem demagogia, sério mesmo! Gosto de ganhar coisas que estou precisando e detesto que Marina ganhe brinquedos para eu ter que arrumar ou que ganhe roupas com merchandising(Princesas, Minnie, etc.).
Com relação a essa data na escola a coisa muda um pouco de figura porque poderia ser uma grande chance de treinar a desinibição das crianças, fazer com que trabalhassem em parceria e também trabalhar a coordenação motora, pois AINDA estão na idade para isso. Gostei da apresentação de minha pequena (nenhuma foto prestou grrrr), da organização do local, 



de haverem feito brincadeiras numa mini tentativa de integração.

 Houve um piquenique e como sei que esse é um momento muito “individual” para cada grupo 

então comprei uma caixa de chocolates para Marina ir a cada grupo entregando à mãe e parabenizando-a. Ela fez questão de guardar o primeiro para a professora, achei tão fofo! E como não a encontramos, voltamos com o bombom para casa para entregar na segunda-feira seguinte.
A distribuição dos bombons com as mães presentes, independentemente de serem as de seus colefuinhas

As crianças fizeram trabalhos em sala, que estavam expostos em caprichados painéis feitos por suas professoras. Estes, espalhados pelas paredes e grandes bolas e triângulos formavam a decoração simples que deixou o grande ginásio do colégio com o ar de aconchego necessário para o tanto de sentimentalidade que deve ter corrido ali naquele dia.
AmEEEEEEEiii minha princesinha cantando para mim, Ameeeeeeiii vê-la entrar no ginásio me procurando em cada mãe sentada e ver seu rosto se transformando quando me viu, 

Ameeeeeeiii o ursinho que ela e o pai escolheram
 
O ursinho tem uma cordinha e já pendurei no celular. O cartão foi ela quem escreveu. O celular é o de sempre :-)
 e Marina Amoooou tomar água no bebedouro J

Só acho ainda que o Dia da Família seria o ideal e que se a escola insistir em comemorar seguindo o calendário do comércio, que não estimule o consumismo como demonstração de afeto. 
É pedir demais? É querer que minha baby seja criada numa bolha? Será?!
Abaixo os trabalhos tão bem feitos pelas professoras, com todo meu respeito e em forma de homenagem












domingo, 19 de maio de 2013

Dias das mães? Comassim?

Esta postagem sairia de qualquer forma e antes de ser postada recebi recebi o chamamento do MILC - Movimento Infância Livre de Consumismo - e resolvi participar

AQUI
Vi um convite na agenda de minha pequena falando sobre um piquenique no dia 11/05. Não se falava em Dia das Mães, acho que era tão claro que isso nem foi citado.Como essa data, para mim, realmente não diz nada, eu nem lembro quando chega a não ser pelas conversas nos vizinhos e colegas de trabalho. Os vizinhos, perguntando o que a Marina vai dar à mamãe e eu respondo "muitos beijinhos" esperando que a conversa pare por aí para eu não dizer o que realmente estou pensando.
Na véspera do sábado, quase morri (de verdade, mas não quero falar sobre isso), então no sábado meu marido perguntou "Vai pra festa da Marina assim mesmo?" e eu: "Vou sim, claro, ela adora piquenique". Aí foi que ele me disse que era em homenagem ao dia das mães! Me animei toda, vesti a camiseta da Aliança pela Infância porque eu não perderia a chance de falar da Semana Mundial do Brincar - se ela por acaso houvesse.
Conheço duas crianças cujo pai matou a mãe e foi preso, o casal ficou com os avós maternos, que faleceram dois anos depois e estão atualmente com um tio que cuida deles como se trata um fardo pesadíssimo. Como a família tem dinheiro as crianças não ficaram financeiramente desamparada, apenas destroçadas e a escola dela - pequena, de classe médica alta, comemora o dia das mães, o dia dos pais e dos avós.
Conheço duas meninas cuja mãe foi morar em outra cidade para curtir a vida e deixou as gêmeas com a avó, que as cria com o maior sacrifício. Elas não conhecem o pai, sequer sabem seu nome. Tem onze anos e há anos choram na comemoração do Dia das Mães na escola. No ano passado, no dia da avó essa avó-mãe comentou comigo que ganhou um chocolate, mesmo sendo diabética, mas que na "p#hh@ do dia das mães a escola pediu 50,00 por criança para comprar o presente que entregariam a mãe. Não mandei o dinheiro com um bilhete, dizendo que a mãe estaria ausente"
Minha irmã caçula, na verdade é minha prima. Seus pais eram doentes mentais, separaram-se, ela casou-se novamente e foi viver isolada num sítio em Itanhaém (SP). Não importa o tanto de carinho e cuidado que recebeu, essa (hoje) mulher tem traumas e mais traumas e uma inexplicável impossibilidade de engravidar.
No ano passado a filha da moça que vendo cachorro-quente numa esquina aqui perto, vendo o anúncio dO Boticário, disse que a mãe dela merecia aquele perfume e se ela não soubesse que levaria uma surra iria pedir dinheiro a todos os conhecidos para comprar o tal perfume...acho que poucas vezes vi umas criança de 9 anos com o olhar tão triste, tão duro!
Bem, voltando á festa na escola, afora o barulho, que não nos permitia ouvir as crianças cantando  o que haviam ensaiado da pra entender? e contando com o fato de que eu estava me sentindo viva de novo, achei que foi uma boa comemoração. Houve brincadeiras entre as mães e as crianças e coleguinhas e tals, embora ninguém soubesse direito quem era quem. Como eu sabia que em piquenique cada um fica no seu quadrado comprei uma caixa de bombons e falei para Marina dar um à mãe de cada coleguinha e assim pude conhecer e ser conhecida ao menos pelas que estavam presentes. E por falar em presente, eu ganhei um. Que amei! Porque adoro bichos de pelúcia, porque ele era lindo e porque achei que Paulo havia decidido me fazer uma surpresa - ow, que meigo - "Oushe, tava lá na agenda, pedindo que mandasse um presente, pensei que tivesse visto." 
O rádio é instrumento de trabalho. O ursinho passa o dia comigo
Os adesivos foram presente da Marina, mas porque ela quis dar 

PALHAÇADA TOTAL aliar afeto a coisa material e ainda mais comprada. Ah sim, na quinta-feira me mandaram uma presilha de cabelo de presente (em E.V.A., que dura trocentos anos sem se decompor) e que não foi feita pela Marina. Assim sendo, que valor teria? Não o encontrei ainda. O bom é que combinou com a camiseta da Aliança e vou usar no evento do próximo domingo.

É ca-la-ro que não vou detestar uma coisa tanto assim e não apontar uma alternativa para modificá-la. PELO MENOS A ESCOLA deveria se manter afastada dessa data. Deveria deixar que cada família decidisse vivê-la se e como quisesse. Deveria dizer que o comércio criou essa data para vender mais e poder manter o PIB positivo - pensam que crianças de 4 anos não entendem de economia, de dinheiro, de comprar? Não, não entendem, estão aprendendo e é por isso que a escola deveria ser mais responsável sobre esse assunto!